Inflação em julho apresenta desaceleração, mas Banco Central e investidores permanecem preocupados
Por: Redação
11/08/2026 • 19h15
O IPCA apresentou uma alta de 0,07% em julho, superando as expectativas do mercado e acendendo alertas no Banco Central.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou uma inflação de 0,07% em julho, embora o percentual tenha ficado acima do que economistas previam. A divulgação desse dado, junto à ata do Comitê de Política Monetária (Copom) nesta terça-feira (11), trouxe preocupações tanto para o Banco Central quanto para investidores.
A expectativa de estabilidade, segundo especialistas ouvidos pela Bloomberg, não se concretizou, o que foi percebido pelo mercado como uma confirmação das advertências já feitas pelo Banco Central. Em resposta, o dólar valorizou e a bolsa de valores sofreu queda.
Apesar de uma leve desaceleração na inflação, economistas indicam que a taxa de desemprego baixa e a possível desvalorização do real em relação ao dólar continuam a exercer pressão sobre os preços. O banco C6, em relatório, destacou que, embora tenha havido um alívio em julho, a combinação de um mercado de trabalho robusto e a perspectiva de uma moeda mais fraca deve manter a inflação elevada. A projeção do banco é que o IPCA feche o ano em 5%, superando o teto da meta estabelecida pelo Banco Central.
Na ata, o Banco Central reconheceu que os dados sobre o mercado de trabalho e preços sugerem uma inflação mais controlada, mas advertiu que existem riscos pela frente, como a atividade econômica ainda em crescimento e potenciais choques de oferta, incluindo flutuações nos preços do petróleo e os efeitos do fenômeno El Niño.
Na última reunião, o Copom decidiu cortar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual pela quarta vez consecutiva, levando a taxa para 14% ao ano. Os analistas consultados pela pesquisa semanal Focus, do Banco Central, preveem que os juros devem encerrar 2023 em 13,75% ao ano.
O Banco Central reiterou que os choques de oferta têm exercido uma influência significativa sobre os preços e as expectativas de inflação, afirmando que reagirá de forma firme se esses choques se espalharem pela economia. A ata sugere que, embora o Copom esteja atento a esses choques, a abordagem atual é monitorar os efeitos secundários antes de tomar ações adicionais.
Para o banco Itaú BBA, a mensagem do Copom reflete a preocupação com os choques de oferta, mas a política monetária deve intervir apenas se houver impactos secundários sobre os preços. O Bradesco também observou que a ata indica um Banco Central que depende de dados, sem compromissos firmes sobre a trajetória futura dos juros, dada a elevada incerteza.
A taxa de 0,07% de julho é a menor registrada para o mês em quatro anos, embora a inflação acumulada em 12 meses ainda seja de 4,44%. Apesar de estar abaixo do teto da meta de 4,5%, a expectativa é de que o índice volte a subir nos próximos meses. O economista Luiz Fernando Cesário, da Asset 1, afirmou que a inflação está em um momento favorável, com redução nos preços de alimentos e uma desaceleração nos serviços e bens industriais.
O BTG Pactual, que também acredita em uma Selic de 13,75% no final do ano, enfatizou que a economia permanece aquecida, com um mercado de trabalho forte e inflação pressionada pela demanda. Os membros do banco reiteraram que a desancoragem das expectativas de inflação requer uma política monetária mais restritiva.
Assim, o Banco Central se mantém em um estado de vigilância, buscando um equilíbrio nas suas decisões frente a um cenário econômico incerto e volátil.
Fonte: Política Livre

