Durigan propõe superávits a partir de 2027 e a necessidade de juros civilizados
Por: Redação
31/08/2026 • 18h30
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, aponta a redução das despesas obrigatórias e a revisão de benefícios como prioridades para a política econômica. Ele acredita que o Brasil pode alcançar superávits primários crescentes a partir de 2027.
Na última segunda-feira (31), durante o Macro Day 26, evento realizado pelo BTG Pactual, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, destacou que o Brasil poderá registrar superávits primários a partir de 2027. Ele enfatizou a importância de moderar o crescimento das despesas obrigatórias como um passo essencial na política econômica do país.
Durigan apresentou uma agenda fiscal baseada em sete frentes, incluindo o cumprimento de metas de resultado primário, fortalecimento do arcabouço fiscal, controle de gastos obrigatórios e revisão de benefícios tributários. Ele garantiu que essas medidas não comprometerão as políticas sociais, mas visam aumentar a eficiência na concessão de benefícios.
Um dos principais desafios, segundo Durigan, é a redução da taxa de juros, que impacta negativamente o Tesouro, as famílias e as empresas. O ministro defendeu que o Brasil deve avançar para uma taxa de juros mais civilizada.
Sobre o controle das despesas obrigatórias, Durigan sugeriu a criação de mecanismos que limitem automaticamente determinados gastos e a revisão de benefícios que não sejam mais automáticos. Ele ressaltou que o objetivo é aumentar a eficiência das políticas sociais, citando o Bolsa Família como um programa que deve facilitar a entrada no mercado de trabalho.
A revisão dos benefícios tributários também foi abordada. Durigan revelou que o governo planeja revisar 10% dos benefícios infraconstitucionais, que totalizam cerca de R$ 200 bilhões, podendo resultar em R$ 20 bilhões de economia. Ele defendeu que esse processo deve continuar nos próximos anos.
O ministro também mencionou a necessidade de uma reforma administrativa que combata os supersalários no serviço público e revise as regras de aposentadoria dos militares, além de promover uma avaliação de desempenho entre os servidores.
Durigan afirmou que a melhoria das contas públicas abrirá espaço para investimentos em setores como fertilizantes, biocombustíveis e inteligência artificial, mas que isso depende da redução das taxas de juros.
Ele atribui parte do resultado fiscal ao diálogo com o Congresso, o que permitiu evitar a votação de projetos que poderiam impactar negativamente as contas. A reforma tributária também foi defendida como uma medida necessária para simplificar um sistema considerado complexo.
Por fim, Durigan mencionou o combate ao crime organizado como uma prioridade, destacando ações da Receita Federal em relação à lavagem de dinheiro, utilizando informações da Operação Carbono Oculto.
Em síntese, o ministro propôs a combinação de juros mais baixos, responsabilidade fiscal, políticas sociais ativas, aumento de investimentos e fortalecimento das instituições como pilares para a economia brasileira.
Fonte: Política Livre

