Deputados do PT solicitam investigação do STF sobre Kassio Nunes Marques
Por: Redação
12/10/2026 • 17h45
Rui Falcão e Rogério Correia pedem apuração de vínculos do ministro com o Banco Master.
Os deputados federais Rui Falcão (PT-SP) e Rogério Correia (PT-MG) protocolaram uma denúncia no Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando a investigação do ministro Kassio Nunes Marques, atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), devido a possíveis ligações com o grupo econômico do Banco Master, gerido pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A denúncia se baseia em mensagens obtidas pela Polícia Federal de celulares de Vorcaro, além de registros processuais e informações da mídia. Os parlamentares indicam sete conjuntos de fatos que, segundo eles, justificam a apuração sobre eventuais benefícios recebidos por Kassio durante julgamentos que afetavam os interesses econômicos do banco.
Entre os acontecimentos citados estão:
- Mensagens que falam sobre pagamentos mensais de R$ 500 mil relacionados ao filho do ministro, Kevin de Carvalho Marques;
- Uma hospedagem em uma mansão no Rio de Janeiro durante o Carnaval de 2025;
- Uma viagem de avião particular de Brasília a Maceió, em novembro de 2025, financiada por uma advogada associada ao Banco Master.
A denúncia surge em um contexto de crescente pressão sobre Kassio no TSE. Integrantes do PT estão considerando solicitar a suspeição do ministro em processos eleitorais, acusando-o de favorecer Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Recentemente, Kassio determinou a suspensão do canal de WhatsApp "Exército do Lula", uma decisão que foi revertida pelo corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva.
Em resposta às acusações, Kassio Nunes Marques negou qualquer ação em favor de candidaturas específicas e afirmou que as críticas são tentativas de intimidação. Um dos casos mencionados na representação diz respeito ao julgamento de um processo sobre a destilaria Alcídia, em outubro de 2024, onde o ministro votou a favor de uma empresa credora, beneficiando assim interesses do Banco Master. Após a decisão, o diretor jurídico do banco, Luiz Rennó, comunicou a Vorcaro: "Ganhamos Alcídia".
A defesa de Kassio sustenta que não havia impedimentos para sua participação no julgamento. A petição também menciona que mensagens associam Kevin a pagamentos mensais de R$ 500 mil, embora não haja comprovação de que tais valores tenham sido efetivamente pagos. O filho do ministro recebeu R$ 281,6 mil da empresa Consult, que, por sua vez, recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master durante o período. Kevin defende que prestou serviços tributários à Consult e nega qualquer vínculo com o banco.
Outro aspecto levantado é um contrato de até R$ 427 milhões entre o Banco Master e o escritório de Camilla Ewerton Ramos, esposa do desembargador federal Newton Ramos. Mensagens do celular de Vorcaro indicam que assessores referiam-se a Newton e Camilla como "Turma do KN". O valor mencionado seria para honorários em ações que poderiam liberar R$ 8,5 bilhões em precatórios de interesse de Vorcaro, mas o escritório nega ter recebido honorários.
A representação também menciona um aluguel bancado por Vorcaro de uma mansão no Joá, no Rio, durante o Carnaval de 2025, à disposição de um ministro chamado "KN", embora os registros não confirmem quem pagou pela locação. Além disso, os deputados citam um suposto encontro com uma garota de programa, negado por Nunes Marques, bem como a viagem de Brasília a Maceió em um avião ligado à gestão de Vorcaro.
O gabinete de Kassio confirmou a viagem, mas afirmou que Camilla Ramos arcou com os custos. Os deputados também questionam o mandado de segurança que pedia a criação de uma CPI do Banco Master no Senado, que foi distribuído a Kassio em março e ainda aguarda decisão.
O ministro nega ter recebido qualquer quantia de Vorcaro ou mantido comunicação com ele, assim como afirma que seu filho nunca trabalhou para o Banco Master. A assessoria de Kevin reafirma que os pagamentos recebidos da Consult correspondem a serviços prestados à empresa. O escritório de Camilla Ramos confirmou a existência de um contrato com o banco, mas afirma não ter recebido honorários fixos ou por êxito.
Os deputados do PT pedem que o STF encaminhe o caso ao plenário ou o distribua a um ministro que não tenha declarado impedimento ou suspeição em processos relacionados ao Banco Master, além de solicitar que a Procuradoria-Geral da República (PGR) também seja acionada.
Fonte: Política Livre

