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Contradições no discurso econômico de Flávio Bolsonaro levantam incertezas sobre ajuste fiscal

Por: Redação

08/10/2026 • 17h15

Propostas de ajuste fiscal do candidato à presidência geram divergências na campanha, especialmente em relação à velocidade e ao impacto das medidas.

As inconsistências nas declarações do candidato Flávio Bolsonaro (PL) sobre seu programa de ajuste fiscal geram incertezas em relação ao que ele realmente pretende implementar caso vença as eleições. Sua equipe se comprometeu a realizar um ajuste rigoroso nas contas públicas, mas as propostas apresentadas até agora, tanto por ele quanto pela porta-voz econômica Daniella Marques, têm causado controvérsias nos bastidores da campanha.

A principal questão é se Flávio utilizará seu capital político para adotar medidas duras, mesmo que isso contrarie promessas feitas durante a campanha. O dilema gira em torno de um ajuste gradual versus um plano mais severo, semelhante ao que foi implementado pelo presidente argentino Javier Milei. Os resultados do primeiro turno, que asseguraram uma maioria da direita no Congresso, possibilitam a aprovação de Propostas de Emenda à Constituição (PECs) a partir de 2027.

Flávio já se comprometeu a não realizar cortes que afetem aposentados ou a população de baixa renda e indicou que pretende promover uma redução de impostos e desonerações, medidas que diminuem a arrecadação do governo. Em entrevista ao SBT News, ele garantiu que manterá o reajuste das aposentadorias do INSS acima da inflação e desmentiu rumores sobre a desvinculação de gastos essenciais, como saúde e educação.

Recentemente, a Folha de São Paulo reportou que sua equipe está estudando um pacote com foco na contenção de despesas, visando um ajuste equivalente a 2% do PIB, ou cerca de R$ 250 bilhões. Após a divulgação, Flávio reafirmou seu compromisso com os aposentados, reforçando que não fará economia em cima das pessoas mais vulneráveis.

Porém, as promessas de manutenção de benefícios e despesas contrastam com a necessidade de um ajuste mais robusto, que poderia exigir cortes em benefícios sociais. Até o momento, a campanha menciona apenas cortes em cargos e ministérios, venda de imóveis da União e combate a fraudes em benefícios, mas essas medidas isoladamente não são suficientes para atingir o ajuste desejado.

Um assessor do candidato mencionou que a dimensão do ajuste dependerá dos resultados do segundo turno e da agenda em relação ao Supremo Tribunal Federal. A prioridade atual é vencer as eleições, com a estratégia de não divulgar os detalhes do plano antes de 25 de outubro. Ele acredita que o compromisso com o ajuste fiscal é apoiado pelo mercado, refletido na queda dos juros e do dólar após o primeiro turno.

A campanha de Flávio criticou o que considera um "cenário de caos" nas finanças públicas criado pelo governo Lula (PT), prometendo que seu ajuste será focado na racionalização de gastos e redução de impostos. No entanto, há divergências internas sobre a necessidade de um ajuste fiscal severo, com alguns integrantes acreditando que um bom desempenho do mercado poderá facilitar a implementação de medidas menos impopulares inicialmente.

Para especialistas, as contradições na campanha dificultam a realização de um ajuste fiscal eficaz, já que o orçamento já é comprometido com despesas obrigatórias. O economista Bruno Carazza destaca que o plano é vago e repleto de contradições, enquanto o ex-presidente do Cade, Gesner Oliveira, ressalta que, mesmo sem detalhes, o mercado acredita que Flávio não permitirá um aumento contínuo da relação dívida/PIB.

Fonte: Política Livre