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Aumento das tarifas dos EUA coloca Brasil em desvantagem no comércio

Por: Redação

15/08/202619h29

A tarifa paga por produtos brasileiros exportados para os EUA saltou de 0,8% para 7,5%, afetando a competitividade do país no mercado americano.

A desvantagem tarifária enfrentada pelos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos aumentou significativamente, passando de 0,8 ponto percentual para 7,5 pontos percentuais após a implementação de novas sobretaxas. Esse aumento posiciona o Brasil como o segundo país com maior dificuldade de acesso ao mercado americano, superado apenas pela China, conforme análise do economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale.

As novas tarifas, que começaram a valer no final de setembro, incluem uma sobretaxa de 25% aplicada exclusivamente a produtos brasileiros, além de alíquotas de 10% a 12,5% que afetam diversos países, incluindo o Brasil, em razão de alegações de trabalho forçado nas importações. Essas taxas substituíram a tarifa global de 10% que expirou recentemente.

Antes da implementação das novas tarifas, a taxa efetiva média brasileira era de 10,3%, enquanto a média dos concorrentes era de 9,5%. Com as novas imposições, a taxa brasileira subiu para 16,6% e a dos demais países caiu para 9,1%. Segundo Vale, a mudança nas tarifas globais trouxe alívio para a maioria, mas não para o Brasil, que enfrenta uma carga adicional de 25%.

O governo Lula estima que 47,3% das exportações brasileiras estão sob impacto das tarifas impostas por Trump. Constanza Negri Biasutti, gerente de política comercial da CNI, destaca que a situação se tornou crítica, afetando a competitividade da indústria brasileira no mercado americano.

O aumento das tarifas pode resultar em uma queda nas exportações brasileiras para os EUA, estimadas entre US$ 1,7 bilhão e US$ 3,6 bilhões no primeiro ano, com consequências que podem se agravar conforme os importadores americanos ajustem seus contratos. Os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que, em 2024, o Brasil exportou US$ 37,6 bilhões para os EUA, uma redução de 6,7% em relação ao ano anterior.

Vale alerta que a incerteza sobre tarifas futuras pode prejudicar a confiança dos importadores americanos nos fornecedores brasileiros, impactando contratos de longo prazo. Welber Barral, advogado e ex-secretário de comércio exterior, ressalta que as exportações já enfrentavam um declínio e que setores como o de commodities industriais e produtos com alta concorrência, como móveis e têxteis, são os mais afetados.

Os especialistas concordam que a possibilidade de diversificação de mercados varia conforme o tipo de produto. Produtos pesados e padronizados tendem a ser redirecionados mais facilmente, enquanto máquinas de alto valor têm dificuldade devido à longa duração dos contratos. Lia Valls, pesquisadora da FGV, destaca que pequenas e médias empresas são as mais prejudicadas pela perda de competitividade, enfrentando custos mais altos para se adaptar a novos mercados.

Fonte: Política Livre