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PF aprofunda investigação sobre operador financeiro ligado ao Banco Master

Mensagens e transações sob análise podem indicar repasses a políticos e ampliar desdobramentos da Operação Compliance Zero

Por: Redação

20/03/202614h12

Foto: Gabriel Reis/Valor

A Polícia Federal (PF) intensificou as investigações sobre movimentações financeiras envolvendo o empresário Daniel Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, apontado como peça-chave na estrutura investigada. A apuração se concentra em mensagens trocadas entre ambos e em dados obtidos por meio de quebras de sigilo, que mencionam possíveis pagamentos ligados a agentes políticos.

O objetivo dos investigadores é verificar se há indícios de irregularidades que justifiquem o aprofundamento das apurações e a abertura de novas fases da Operação Compliance Zero. A análise inclui ordens de pagamento e registros de transações financeiras que, se confirmados, serão avaliados quanto à sua legalidade e eventual vínculo com prestação de serviços.

Entre os nomes citados nas mensagens está o do senador Ciro Nogueira, que negou qualquer envolvimento. Em nota, afirmou que nunca recebeu valores de Vorcaro ou de pessoas a ele ligadas e que sequer conhece Zettel. O parlamentar declarou ainda confiar que as investigações esclarecerão os fatos.

A PF considera Zettel o principal operador financeiro do grupo, responsável por intermediar pagamentos e estruturar mecanismos para viabilizar transferências, inclusive por meio de contratos considerados suspeitos. A análise da rede financeira associada a ele é vista como fundamental para identificar novos caminhos na investigação.

Outro ponto apurado envolve suspeitas de irregularidades em fundos ligados ao resort Tayayá, que teriam conexão com empresas da família do ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli. O magistrado já declarou publicamente que nunca recebeu valores de Vorcaro ou de Zettel e nega qualquer relação com o investigado.

Zettel foi preso duas vezes no âmbito da operação, atualmente estando custodiado no Presídio Federal de Brasília. As decisões judiciais apontam que ele atuava diretamente na operacionalização financeira das atividades do grupo, incluindo a gestão de pagamentos e interlocução com terceiros.

As investigações também indicam que Zettel teria participado da elaboração de contratos simulados para justificar repasses, incluindo uma suposta proposta envolvendo um servidor do Banco Central. Além disso, ele seria responsável por pagamentos relacionados a um grupo descrito como uma espécie de milícia privada ligada a Vorcaro.

O caso já resultou na abertura de pelo menos três inquéritos principais, ainda sem previsão de conclusão. Um deles apura suspeitas de fraude envolvendo a tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília, investigação que foi prorrogada devido ao grande volume de material ainda em análise.

Vorcaro, por sua vez, chegou a ser preso ao tentar embarcar para o exterior em novembro, sob suspeita de tentativa de fuga, alegação negada por sua defesa. Ele voltou a ser detido em março, durante nova fase da operação, e atualmente negocia um acordo de colaboração com as autoridades.

A PF segue cruzando informações e não descarta novos desdobramentos à medida que a análise das provas avance.