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PF aponta possível atuação de advogado baiano em emenda que favoreceria o Banco Master

Investigação da Operação Compliance Zero indica participação de André Kruschewsky na elaboração de proposta legislativa que ampliaria cobertura do FGC e teria ligação com instituição financeira de Daniel Vorcaro

Por: Redação

08/05/202614h02

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) identificou, no âmbito da Operação Compliance Zero, a suposta participação de um advogado baiano na construção de uma emenda parlamentar que teria beneficiado o Banco Master, instituição financeira controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro.

O advogado André Kruschewsky é citado em relatório da PF que integra decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), responsável por autorizar a quinta fase da operação, deflagrada nesta quinta-feira (7), que investiga possíveis fraudes no sistema financeiro nacional.

Segundo a investigação, Kruschewsky ocupou o cargo de diretor jurídico do Banco Master entre março de 2023 e agosto de 2024. O relatório aponta ainda que ele teria encaminhado ao próprio Daniel Vorcaro uma minuta de proposta considerada favorável à instituição.

A PF relaciona o conteúdo à emenda nº 11, que alteraria a PEC nº 65/2023, voltada à autonomia financeira do Banco Central. A mudança previa ampliar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) por depositante.

De acordo com os investigadores, o texto apresentado pelo senador Ciro Nogueira foi elaborado com participação da assessoria ligada ao Banco Master. A apuração indica ainda que a minuta teria sido impressa e entregue ao parlamentar em um envelope.

Em abril, o site Bahia Notícias já havia informado que o escritório Gabino Kruschewsky Advogados, sediado em Salvador, passou a ser monitorado pela PF no contexto das investigações. O escritório teria recebido cerca de R$ 54 milhões em repasses do banco entre 2022 e 2025, sendo um dos principais prestadores de serviço jurídico da instituição.

A estrutura societária do escritório inclui Eugênio Kruschewsky, procurador do Estado da Bahia, e está vinculada a operações que também envolvem produtos financeiros do banco com forte presença no estado, como o Credcesta.

As investigações seguem sob análise do STF e podem levar a novos desdobramentos sobre a atuação de assessorias jurídicas e a influência em propostas legislativas relacionadas ao setor financeiro.