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Mensagem resgatada pela PF lança nova sombra sobre relações políticas no caso do Banco Master

Conversa atribuída a Daniel Vorcaro menciona visita de ACM Neto e reforça suspeitas já apontadas por relatório do Coaf

Por: Redação

06/04/202610h10Atualizado

Foto: Max Haack/Secom/PMS

Uma mensagem recuperada pela Polícia Federal adiciona mais tensão ao já delicado caso envolvendo o Banco Master na Bahia. Revelado pelo jornal Folha de S.Paulo, o conteúdo expõe uma troca de mensagens atribuída ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro que, além de surpreender, levanta dúvidas sobre a proximidade entre figuras do setor financeiro e atores políticos de destaque.

No diálogo, mantido com o ex-ministro Fábio Faria, Vorcaro afirma: “ACM foi lá em casa”, em referência a ACM Neto. A conversa, datada de 22 de maio de 2024, teria sido extraída de arquivos em nuvem posteriormente entregues à CPI mista do INSS. A resposta de Faria “Bom demais”, embora breve, amplia o desconforto sobre o teor e o contexto da interação.

Isoladamente, a mensagem poderia ser interpretada como mais um registro informal entre interlocutores com trânsito em esferas de poder. No entanto, o episódio ganha contornos mais preocupantes quando analisado à luz de outras evidências já conhecidas. Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras apontou que a A&M Consultoria Ltda., empresa ligada a ACM Neto e à sua esposa, recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da gestora Reag Investimentos entre março de 2023 e maio de 2024.

Segundo a análise técnica, os valores foram classificados como incompatíveis com a capacidade financeira declarada da empresa, um indício clássico de alerta em relatórios de inteligência financeira. Ainda que não configure, por si só, ilegalidade, a sinalização reforça a necessidade de esclarecimentos públicos mais consistentes.

O caso escancara um problema recorrente no Brasil: a opacidade nas relações entre agentes políticos e interesses privados. Quando encontros privados coincidem com movimentações financeiras atípicas, o debate deixa de ser apenas jurídico e passa a ser também ético e, sobretudo, de interesse público.

Até o momento, não há confirmação oficial sobre o teor completo da conversa nem sobre o contexto do suposto encontro. Ainda assim, o episódio evidencia como mensagens aparentemente triviais podem adquirir peso significativo quando inseridas em investigações que envolvem dinheiro, poder e influência.