Fim da terceira via: Barbosa desiste de concorrer à Presidência
Falta de estrutura partidária, isolamento político e baixo desempenho em pesquisas pesaram na decisão
Por: Redação
20/07/2026 • 17h01
O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa desistiu de disputar a Presidência da República nas eleições de 2026. A decisão foi comunicada à direção nacional do Democracia Cristã (DC) e encerra a principal aposta da legenda para apresentar uma candidatura alternativa à polarização política que domina o cenário nacional.
A retirada do nome de Barbosa ocorreu após meses de articulações marcadas por dificuldades para ampliar a estrutura partidária e reunir apoio de outras siglas. A ausência de alianças capazes de garantir maior tempo de propaganda eleitoral e recursos para a campanha foi apontada como um dos principais fatores para o recuo.
Além das limitações políticas, o desempenho nas pesquisas de intenção de voto também pesou na avaliação do ex-ministro. Em levantamento Datafolha divulgado em junho, Barbosa apareceu com 1% das preferências do eleitorado, um índice considerado insuficiente para impulsionar uma candidatura presidencial em curto prazo.
A decisão representa um revés para o Democracia Cristã, que apostava na imagem de Barbosa como um nome de centro capaz de atrair eleitores fora dos dois principais polos políticos do país.
Partido enfrenta novo cenário antes das convenções
Com a saída do ex-ministro, o DC terá de reorganizar sua estratégia eleitoral a poucos dias do prazo das convenções partidárias. A legenda ainda precisa definir se lançará outro candidato ao Palácio do Planalto ou se buscará uma composição com uma chapa de maior estrutura.
A expectativa de dirigentes do partido era de que a candidatura de Barbosa pudesse crescer durante o processo eleitoral, especialmente entre eleitores em busca de uma alternativa aos grupos políticos tradicionais. No entanto, as negociações de bastidores não avançaram no ritmo esperado.
O isolamento político dificultou a formação de uma frente ampla e reduziu a capacidade da legenda de transformar a candidatura em um projeto competitivo nacionalmente.
Filiação de Barbosa provocou crise interna no DC
A passagem de Joaquim Barbosa pelo Democracia Cristã foi curta e marcada por conflitos internos. A entrada do ex-presidente do STF provocou reação do ex-deputado Aldo Rebelo, que também manifestava interesse em disputar a Presidência pela sigla.
O embate entre os dois grupos levou a uma crise dentro do partido. Rebelo criticou a condução da legenda e acabou expulso, mas recorreu à Justiça e obteve uma decisão que garantiu sua reintegração aos quadros partidários.
O episódio expôs divergências internas no DC durante o processo de escolha do candidato presidencial.
Sigla terá de redefinir caminho para 2026
Sem Joaquim Barbosa na disputa, o Democracia Cristã entra em uma nova fase de negociações. A legenda terá de avaliar se mantém o projeto de candidatura própria ou se concentra esforços em uma aliança nacional.
A desistência do ex-ministro deixa um espaço aberto dentro do partido e encerra uma tentativa de construir uma terceira via em torno de um dos nomes mais conhecidos do Judiciário brasileiro.

