Estagnação e descrédito: Brasil segue abaixo da média mundial em percepção da corrupção
Índice internacional mantém país na 107ª posição, mesmo após novo ano marcado por escândalos
Por: Redação
11/02/2026 • 10h17 • Atualizado
O Brasil encerrou 2025 com 35 pontos no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), permanecendo na 107ª colocação entre 185 países avaliados. O resultado, divulgado nesta terça-feira (10) pela Transparência Internacional, mantém o país no mesmo patamar do Sri Lanka e abaixo da média global e das Américas, ambas fixadas em 42 pontos.
Apesar de registrar um ponto a mais que em 2024, quando marcou 34, o pior desempenho da série histórica, a variação está dentro da margem de erro do levantamento e não representa avanço concreto. Na prática, o país segue estagnado em um cenário de baixa credibilidade institucional e fragilidade no enfrentamento à corrupção.
A liderança do ranking ficou novamente com a Dinamarca, que alcançou 89 pontos. Na outra ponta, Somália e Sudão do Sul registraram nove pontos, ocupando as últimas posições. O Brasil, distante dos países mais bem avaliados, mantém-se abaixo da média mundial desde 2015. Durante os quatro anos do governo Jair Bolsonaro (PL), a pontuação foi de 38. O melhor desempenho brasileiro ocorreu em 2012 e 2014, quando atingiu 43 pontos.
No relatório deste ano, a Transparência Internacional menciona dois episódios que impactaram negativamente a percepção sobre o país em 2025: as fraudes em descontos associativos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e suspeitas envolvendo a emissão de cédulas de crédito fraudulentas pelo Banco Master.
O IPC mede a percepção de corrupção no setor público com base na avaliação de especialistas e executivos, e não da população em geral. Para compor a nota final, são utilizadas 13 fontes independentes, como o Banco Mundial, o Fórum Econômico Mundial, o jornal The Economist, universidades, consultorias de risco e bancos de desenvolvimento.
Segundo a metodologia, cada fonte deve apresentar critérios técnicos claros e rigorosos na coleta e análise de dados. São considerados aspectos como suborno, desvio de recursos
O relatório também relaciona baixos índices de integridade pública a ambientes hostis para o jornalismo investigativo. De acordo com a organização, mais de 90% dos assassinatos de jornalistas que denunciavam corrupção ocorreram em países com menos de 50 pontos no IPC, que inclui Brasil, Índia, México, Paquistão e Iraque.
A permanência do Brasil abaixo da média global evidencia não apenas dificuldades estruturais no combate à corrupção, mas também desafios mais amplos ligados à transparência, à responsabilização e à proteção das instituições democráticas. Sem reformas consistentes e fortalecimento dos mecanismos de controle, o país segue distante de recuperar a confiança interna e internacional em sua governança pública.

