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Emendas parlamentares de Alex Santana geram questionamentos sobre vínculos e destinação de recursos

Repasse de cerca de R$ 1,9 milhão a entidade ligada a pessoas próximas ao secretário reacende debate sobre transparência na gestão de verbas públicas em Salvador

Por: Redação

27/04/202609h55Atualizado

Foto: Douglas Gomes/Republicanos

A destinação de emendas parlamentares atribuídas ao atual secretário de Relações Institucionais de Salvador, Alex Santana, tem sido alvo de questionamentos após alegações de que recursos da ordem de R$ 1,9 milhão teriam sido direcionados à Associação Juntos Podemos+, entidade supostamente ligada a pessoas próximas ao político. Antes de assumir o cargo na gestão do prefeito Bruno Reis, Santana teria indicado esses valores à organização.

Os repasses teriam ocorrido em dois momentos distintos e chamam atenção pela relação entre os beneficiários e o parlamentar. Em 2023, quando a entidade era presidida por Gláucio dos Reis Santos, apontado como cunhado de Santana, a ONG teria recebido mais de R$ 1,1 milhão por meio de emenda parlamentar. À época, Gláucio representou formalmente a instituição junto ao Ministério da Igualdade Racial para viabilizar o convênio.

O recurso foi destinado a um projeto de qualificação profissional voltado a mulheres negras em situação de vulnerabilidade social em bairros periféricos de Salvador. Embora o objetivo social seja relevante, especialistas em gestão pública apontam que relações de parentesco direto podem caracterizar potencial conflito de interesses, a depender das circunstâncias e dos critérios utilizados na seleção da entidade.

Já em 2025, um novo repasse de R$ 800 mil teria sido indicado pelo então deputado para a mesma associação, desta vez sob a presidência de Jussara Sousa dos Santos, ex-assessora parlamentar de Santana entre 2019 e 2021. O projeto, financiado com recursos do Ministério do Trabalho e Emprego, prevê ações de capacitação e geração de renda para jovens em situação de vulnerabilidade. Até o momento, metade do valor teria sido efetivamente paga, enquanto o restante segue empenhado.

O caso reacende o debate sobre transparência e governança na aplicação de emendas parlamentares, mecanismo frequentemente criticado por limitações nos instrumentos de controle e pela possibilidade de uso político dos recursos públicos.

A situação também impõe pressão sobre a gestão municipal, que tem Santana como peça central na articulação institucional. Embora não haja comprovação de ilegalidade até o momento, a sobreposição entre relações pessoais e decisões envolvendo verbas públicas tende a alimentar questionamentos sobre a lisura dos processos e a necessidade de maior fiscalização.