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Decisão dos EUA sobre PCC e CV leva Planalto a adotar cautela nas relações com Trump

Classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas surpreendeu o governo brasileiro, que avalia impactos econômicos e busca esclarecimentos por vias diplomáticas

Por: Redação

01/06/202614h27Atualizado

Foto: Ricardo Stuckert

O governo federal decidiu, ao menos por enquanto, não promover um contato direto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após a decisão americana de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo.

De acordo com auxiliares do Palácio do Planalto, a medida adotada por Washington pegou Brasília de surpresa. Diante do cenário, o governo brasileiro optou por conduzir as discussões inicialmente por meio de canais diplomáticos e técnicos, evitando um desgaste político imediato entre os dois chefes de Estado.

A principal preocupação do governo está relacionada aos possíveis reflexos da decisão sobre setores estratégicos da economia nacional. Entre os pontos em análise estão eventuais impactos sobre o agronegócio, operações financeiras e mecanismos de pagamento amplamente utilizados no país, como o Pix.

Integrantes do governo avaliam o risco de autoridades americanas associarem ferramentas do sistema financeiro brasileiro ao combate ao crime organizado, o que poderia abrir espaço para questionamentos regulatórios ou até mesmo para a adoção de medidas restritivas contra instituições financeiras nacionais.

Em meio às discussões, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou que pretende buscar esclarecimentos junto às autoridades dos Estados Unidos ainda nesta semana. O objetivo é compreender os efeitos práticos da classificação das facções e evitar consequências negativas para a economia brasileira.

Enquanto isso, o Planalto mantém uma postura de prudência, priorizando o diálogo institucional e o acompanhamento técnico do caso. Representantes do Ministério da Justiça, incluindo Wellington César Lima e Silva, também participam das análises sobre os próximos passos que poderão ser adotados pelo governo brasileiro diante da decisão americana.