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Clima de abatimento toma o Banco Central após indícios de envolvimento de ex-servidores no caso Master

Ex-diretor e ex-chefe de fiscalização são afastados e investigados, gerando preocupação sobre a credibilidade da instituição

Por: Redação

05/03/202617h38

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Banco Central (BC) enfrenta um clima de abatimento interno após surgirem indícios de envolvimento de dois ex-servidores no caso Master. Segundo relatos de funcionários ouvidos sob condição de anonimato, há perplexidade e preocupação de que a situação possa prejudicar a imagem da instituição perante a opinião pública.

Os ex-servidores Paulo Souza, ex-diretor de Fiscalização, e Belline Santana, ex-chefe do departamento de supervisão bancária, foram alvo de operação de busca e apreensão realizada nesta quarta-feira (4) pela Polícia Federal. A decisão do ministro André Mendonça determinou que ambos usem tornozeleira eletrônica.

Segundo a determinação judicial, Souza e Santana atuavam como consultores privados do banqueiro Daniel Vorcaro em assuntos relacionados ao BC, recebendo propina por isso. Entre os pagamentos apontados está uma viagem à Disney, cujo guia foi custeado pelo dono do Master.

Funcionários do BC relataram choque e surpresa diante das denúncias, embora evitem julgamentos precipitados sobre a conduta dos antigos colegas. Um servidor descreveu estar incrédulo com a situação, enquanto outro se disse abatido.

A ANBCB emitiu nota classificando como “extremamente graves” os apontamentos da terceira fase da operação Compliance Zero. A entidade enfatizou a necessidade de rigorosas investigações e punições dentro do devido processo legal, destacando ainda a atuação do BC em acionar seus mecanismos internos e afastar preventivamente os envolvidos.

“O episódio reforça a importância de aprimorar continuamente a governança e os mecanismos de integridade institucional. Instituições fortes são capazes de identificar e corrigir seus próprios erros com firmeza”, afirmou a associação.

Em nota, o Banco Central confirmou que, durante investigação interna sobre o caso Master, foram identificados indícios de vantagens indevidas por parte dos dois servidores. Eles foram afastados cautelarmente de seus cargos e do acesso às dependências e sistemas do BC, enquanto procedimentos correcionais foram instaurados e os fatos comunicados à Polícia Federal.

“O trabalho da PF representa um passo essencial para o pleno esclarecimento dos fatos. Observado o devido processo legal e o direito à ampla defesa, as condutas infracionais identificadas receberão a devida resposta sancionatória, de acordo com a lei”, disse a autoridade monetária.

Segundo interlocutores do BC, as providências foram adotadas prontamente e as condutas são tratadas como isoladas, reforçando a confiança da cúpula de que a instituição está preservada.

O Banco Central também tem realizado revisão interna do processo de fiscalização envolvendo o Banco Master, desde a expansão do conglomerado de Vorcaro até a liquidação da instituição em novembro de 2025. Souza e Santana haviam deixado suas funções de confiança em janeiro, após terem sido afastados pelo presidente Gabriel Galípolo.

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