Camarote milionário cai às vésperas da folia após operação contra rifas ilegais na Bahia
Polícia bloqueia R$ 230 milhões, apreende jatinho e aponta uso do espaço no Carnaval de Salvador para lavar dinheiro de esquema virtual
Por: Redação
11/02/2026 • 17h00
Às vésperas do Carnaval de Salvador, uma operação da Polícia Civil da Bahia atingiu em cheio um dos símbolos de ostentação da festa: um camarote de alto padrão teve as atividades suspensas por decisão judicial após ser apontado como peça-chave em um esquema de lavagem de dinheiro ligado a rifas clandestinas na internet.
Batizada de Operação Falsas Promessas 3, a ação foi deflagrada nesta quarta-feira (11) e resultou no bloqueio de aproximadamente R$ 230 milhões em bens e valores, além da apreensão de uma aeronave avaliada em mais de R$ 10 milhões. Ao todo, 13 investigados são alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos em Salvador, Feira de Santana e Camaçari, na Bahia, além de São Paulo e São Bernardo do Campo.
Segundo as investigações conduzidas pelo Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (Draco), o camarote estaria sendo utilizado para ocultar e dissimular recursos obtidos por meio da exploração ilegal de rifas online. A Justiça determinou a suspensão imediata das atividades do espaço, que já comercializava ingressos para o Carnaval.
De acordo com o diretor do Draco, delegado Fábio Lordello, o grupo atuava de forma estruturada. “O esquema utilizava empresas de fachada, intermediadoras de pagamento e pessoas interpostas para movimentar valores incompatíveis com as atividades lícitas declaradas”, afirmou. As conexões financeiras seguem sob análise.
A operação contou ainda com apoio da Coordenação de Operações e Recursos Especiais (Core) e do Serviço Aeropolicial (Saer). Durante as diligências, foram apreendidos dispositivos eletrônicos, documentos e materiais que devem aprofundar o rastreamento do fluxo financeiro do grupo.
A ofensiva escancara um fenômeno que vem crescendo nos últimos anos: a proliferação de rifas digitais divulgadas nas redes sociais, muitas vezes associadas a influenciadores e promessas de prêmios de alto valor. Embora vendidas como oportunidades acessíveis ao público, parte dessas iniciativas opera à margem da legislação, transformando-se em instrumentos de arrecadação milionária sem transparência fiscal.
A suspensão do camarote levanta questionamentos sobre a fiscalização de grandes estruturas privadas que movimentam cifras elevadas durante o Carnaval, além do uso da festa como vitrine para legitimar recursos de origem duvidosa.
Enquanto os investigados ainda poderão se defender no curso do processo, a operação evidencia que, por trás do brilho e da ostentação da maior festa de rua do país, há também um mercado paralelo que mistura entretenimento, redes sociais e suspeitas de crime financeiro.

