Inteligência artificial e o Dia do Estudante no Brasil
Por: Redação
11/08/2026 • 07h00
O Dia do Estudante, celebrado em 11 de agosto, marca a evolução do acesso ao conhecimento com a introdução da inteligência artificial nas salas de aula brasileiras.
Comemorado em 11 de agosto, o Dia do Estudante remete a um Brasil do século XIX, quando Dom Pedro I instituiu os primeiros cursos jurídicos em São Paulo e Olinda, em uma época onde o conhecimento era limitado e dependia de livros e longas horas de estudo. Hoje, quase dois séculos depois, a realidade é bem diferente: os estudantes brasileiros têm à disposição a inteligência artificial (IA), uma ferramenta que permite resumir textos, resolver equações e até mesmo redigir textos em poucos segundos.
A presença da IA no cotidiano escolar e universitário é crescente. Um estudo da Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior (Abmes) revela que entre 52% e 71% dos universitários a utilizam, sendo que 29% o fazem diariamente e 42% semanalmente. Na educação básica, uma pesquisa da Fundação Itaú e do Equidade.Info aponta que 80% dos alunos já usaram ferramentas como ChatGPT, Gemini ou MidJourney, com 84% utilizando para fins de estudo e 90% para pesquisa e esclarecimento de dúvidas.
No entanto, apesar do uso crescente, apenas 37% das escolas brasileiras permitem a utilização da tecnologia em atividades educativas, conforme a Pesquisa TIC Educação 2025. Vale ressaltar que a Lei Federal nº 15.100, sancionada em 13 de janeiro de 2025, proíbe o uso de celulares e dispositivos eletrônicos por estudantes da educação básica em escolas públicas e privadas.
A preocupação com o uso da IA se concentra na possibilidade de os alunos se tornarem dependentes da tecnologia, o que pode levar ao que especialistas chamam de "descarregamento cognitivo", onde a capacidade de retenção de conhecimento diminui. Rafael Sampaio, professor da UFPE, alerta que o uso excessivo da IA pode dificultar a memorização e a compreensão aprofundada do conteúdo.
Jorge Dias, professor de Biologia, compartilha essa preocupação, observando que muitos alunos têm dificuldade em formular comandos precisos, resultando em um aprendizado superficial.
A pressão por notas também leva muitos estudantes a usar a IA como um atalho. Sofia Barreto, aluna do ensino médio, destaca que a ênfase nas entregas, em vez do aprendizado, incentiva essa prática. Ela expressa preocupações sobre a falta de preparo das escolas para um mercado de trabalho cada vez mais dominado pela tecnologia.
Apesar dos desafios, a maioria dos professores reconhece o potencial da IA. Segundo a Fundação Itaú, apenas 21% nunca usaram essa tecnologia, enquanto 84% a consideram útil para o planejamento de aulas e 76% a utilizam na criação de materiais pedagógicos. Uma atualização curricular que inclua a interação crítica com a IA é vista como essencial por 84% dos professores e 90% dos gestores.
Para enfrentar esse novo cenário, educadores como Jorge Dias estão adaptando suas avaliações, incentivando pesquisas mais profundas. O professor Rafael Sampaio defende o conceito de "co-inteligência", onde a IA atua como uma ferramenta que enriquece o processo de pesquisa, sem substituir a autoria do aluno.
Fonte: Bahia Notícias

