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Canetas emagrecedoras são estudadas como opção para tratamento de dependência química

Por: Redação

13/10/2026 • 14h40

Pesquisadores investigam a eficácia de medicamentos para obesidade no combate ao vício em álcool e outras drogas.

Medicamentos conhecidos como "canetas emagrecedoras", que são utilizados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, estão sendo analisados por cientistas em relação ao seu potencial para ajudar no controle do consumo de álcool e outras substâncias. Estudos recentes apresentam resultados animadores, mas especialistas alertam para a necessidade de mais investigações para validar a eficácia e a segurança desses tratamentos no combate às dependências.

Substâncias como semaglutida e tirzepatida atuam em mecanismos hormonais que influenciam a saciedade e o controle glicêmico. Agora, pesquisadores estão explorando se esses medicamentos podem também afetar os circuitos cerebrais que regulam a recompensa e o desejo por substâncias. Uma pesquisa do British Medical Journal (BMJ) indicou que o uso desses medicamentos está associado a um risco reduzido de transtornos relacionados ao consumo de álcool, cocaína, nicotina e opioides em cerca de 600 mil veteranos das Forças Armadas dos EUA com diabetes tipo 2.

Outro estudo, publicado em 2024, focou na semaglutida em pacientes com transtorno por uso de álcool moderado a grave. Durante 26 semanas, os participantes receberam o medicamento ou um placebo, resultando em uma redução de 41% nos dias de consumo excessivo de álcool no grupo tratado, em comparação a 26% no grupo placebo. Esses resultados têm gerado crescente interesse na comunidade científica.

Nora Volkow, diretora do Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas dos EUA, destacou a relevância dos dados em uma reunião na Universidade Harvard, sugerindo que esses medicamentos podem atuar em mecanismos cerebrais que controlam o desejo e a recompensa, reduzindo o impulso pelo consumo de álcool. A Eli Lilly, fabricante da tirzepatida, também investiga a brenipatida, uma molécula experimental, para avaliar seu potencial no tratamento do uso de álcool, com resultados esperados para 2028.

Embora os resultados iniciais sejam promissores, os medicamentos ainda não têm aprovação específica para tratar dependências. Alguns médicos já utilizam essas substâncias em situações específicas, através do uso off-label, que consiste na prescrição para finalidades diferentes daquelas indicadas na bula. O psiquiatra Dartiu Xavier, da Unifesp, compartilhou que tem utilizado esses medicamentos para tratar casos de dependência de álcool e cocaína, ressaltando que a decisão deve ser personalizada, especialmente quando terapias tradicionais falham.

Ronaldo Laranjeira, também da Unifesp, comentou sobre experiências com esses medicamentos após cirurgias bariátricas, reconhecendo seu potencial, mas enfatizando a falta de evidências definitivas sobre sua eficácia. Analice Gigliotti, diretora clínica do Espaço Clif, mencionou a existência de medicamentos já estabelecidos que ajudam a controlar a dependência de álcool, considerando as canetas emagrecedoras como uma alternativa para casos específicos, apesar da ausência de dados que comprovem sua eficácia na abstinência.

Pesquisadores internacionais também investigam a relação entre medicamentos à base de GLP-1 e comportamentos compulsivos. Anna Lembke, especialista em dependência da Universidade Stanford, observou que o mecanismo de ação ainda precisa ser completamente compreendido, sugerindo que essas substâncias podem reduzir a liberação de dopamina em áreas do cérebro ligadas à recompensa, diminuindo a resposta ao desejo por álcool e outras drogas. Os especialistas advertem que os resultados preliminares não indicam que essas canetas possam substituir os tratamentos convencionais para dependência química, e que o uso deve ser cuidadosamente avaliado por profissionais de saúde até que mais pesquisas confirmem seus benefícios e riscos.

Fonte: Bahia Notícias