Bahia é o terceiro estado com maior ausência paterna no Brasil
Por: Redação
08/08/2026 • 07h20
Uma pesquisa revela que, embora a maioria dos homens baianos sejam pais, muitos não estão presentes na vida dos filhos. O estado ocupa a terceira posição no número de crianças com apenas o nome da mãe nas certidões de nascimento.
O mês de agosto, tradicionalmente associado ao Dia dos Pais, traz à tona um problema significativo: a ausência paterna. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2019 indicam que 64,6% dos homens baianos com 15 anos ou mais são pais, uma taxa superior à média nacional. Contudo, essa alta taxa não se traduz na presença efetiva desses homens na vida de seus filhos.
Conforme informações do portal da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), a Bahia ocupa o terceiro lugar no Brasil em termos de crianças que têm apenas o nome da mãe em suas certidões de nascimento, superada apenas por São Paulo e Minas Gerais.
Suellen Lordelo, coordenadora da Especializada de Família e Sucessões da Defensoria Pública do Estado da Bahia, afirmou que a situação no estado é influenciada por diversos fatores, com o machismo como um dos principais. "Muitos homens não reconhecem a paternidade em relações não fixas, resultando em um número elevado de registros não realizados. Além disso, existe o receio das implicações legais da paternidade, que traz responsabilidades como a guarda da criança", explicou.
Suellen também destacou que a logística envolvida no registro de paternidade, como a organização e o deslocamento até os cartórios, pode dificultar o processo, especialmente em áreas mais remotas. Para mitigar esses desafios, a Defensoria Pública realiza atendimentos durante todo o ano, focando na simplificação da burocracia, onde os interessados precisam apenas apresentar documentos e são atendidos por ordem de chegada.
No ano passado, foram registrados 694 casos de ações de investigação de paternidade, incluindo 109 casos post mortem, onde o suposto pai já havia falecido. Além disso, 405 exames de DNA foram realizados apenas no primeiro semestre deste ano. Embora os serviços estejam disponíveis ao longo do ano, a força-tarefa nacional da Defensoria Pública, chamada "Meu Pai Tem Nome", intensifica a oferta de atendimentos no mês de agosto em homenagem ao Dia dos Pais.
Fonte: Bahia Notícias

