Bahia aposta em rede integrada para reduzir espera por atendimento especializado no SUS
Estratégia apresentada em congresso prioriza articulação entre serviços, ampliação da oferta e uso de tecnologia para garantir cuidado contínuo
Por: Redação
28/04/2026 • 09h23
Como garantir que o atendimento especializado chegue com mais rapidez, proximidade e organização à população? Esse foi o eixo central da abertura do 12º Congresso Cosems Bahia, realizado neste domingo (26), no Centro de Convenções de Salvador. Diante de gestores municipais, representantes do Ministério da Saúde e profissionais da área, a secretária estadual da Saúde, Roberta Santana, detalhou a nova estratégia do estado para enfrentar a demanda reprimida no SUS, destacando que o desafio vai além das filas de espera.
Com o tema “O novo paradigma da Atenção Especializada na Bahia: da fila ao cuidado integral”, a gestora defendeu que a solução passa pela construção de uma rede articulada, conectando atenção primária, diagnóstico, consultas, cirurgias, transporte e acompanhamento do paciente. Segundo ela, o problema começa antes mesmo de o usuário entrar em uma lista de espera, quando há atraso no diagnóstico, dificuldade de acesso a exames ou falhas na integração entre os serviços.
A demanda reprimida não pode ser tratada apenas como um número acumulado. Ela revela um percurso assistencial que precisa estar melhor organizado. O desafio é fazer com que o paciente deixe de peregrinar pelos serviços e passe a ser acompanhado pelo SUS, com referência, contrarreferência, dignidade e continuidade do cuidado”, afirmou.
Durante a apresentação, foram destacados avanços recentes da rede estadual. Entre 2023 e 2026, a Bahia investiu R$ 39,02 bilhões em saúde, entregou 13 novos hospitais, ampliou em mais de 5.500 o número de leitos e colocou em funcionamento 26 policlínicas regionais. Essas unidades já somam 9,7 milhões de atendimentos, alcançando 416 municípios e cobrindo mais de 80% da população baiana. Outras sete policlínicas estão em fase de implantação em diferentes regiões do estado.
O programa Agora Tem Especialistas complementa essa estrutura com investimento de R$ 100 milhões para ampliar a oferta de atendimentos, incluindo funcionamento em horários estendidos e aos finais de semana. Na área cirúrgica, o estado contabiliza 720 mil procedimentos eletivos realizados em 124 unidades credenciadas.
Os dados apresentados também incluem R$ 586 milhões anuais em cofinanciamento, 1 milhão de atendimentos realizados em feiras de saúde, mais de 529 mil mamografias de rastreio e 476 mil atendimentos de saúde bucal em escolas. Na oncologia, houve a criação de quatro novas unidades e ampliação de outras três, com previsão de expansão dos equipamentos de radioterapia até 2026. Já na cardiologia, o estado conta com 11 unidades de hemodinâmica em operação e outras sete em implantação.
Outro destaque foi o investimento de R$ 200 milhões em saúde digital, que resultou na implantação de um prontuário eletrônico integrado em 38 unidades, reunindo milhões de dados e apoiando a gestão com painéis de inteligência.
O congresso reúne cerca de 1.500 participantes e recebeu mais de 500 experiências exitosas. Para a presidente do Cosems Bahia, Stela Souza, o encontro fortalece o diálogo entre os diferentes níveis de gestão. “A atenção especializada só avança quando a atenção primária está fortalecida e quando há integração entre Estado, municípios e União”, afirmou.
Representando o Ministério da Saúde, o secretário de Atenção Especializada, Mozart Sales, reforçou a importância da cooperação entre as esferas de governo e do melhor aproveitamento da capacidade instalada na rede pública e conveniada.
Ao encerrar a conferência, a secretária sintetizou o principal ponto da estratégia apresentada: “Quando as três esferas trabalham juntas, com responsabilidade, dados, financiamento e compromisso, a vida das pessoas muda”.

