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Arquivo Público da Bahia completa 136 anos com reconhecimento da Unesco e novos investimentos do Governo do Estado

Celebração marca anúncio de melhorias estruturais, implantação de laboratório de digitalização e garantia definitiva da sede histórica do órgão

Por: Redação

05/03/202614h02

Foto: Feijão Almeida/GOVBA

Guardar documentos é, antes de tudo, preservar vidas, histórias e identidades. No Arquivo Público do Estado da Bahia (APEB), cada caixa, manuscrito e registro ajuda a contar capítulos decisivos da formação da sociedade brasileira. Nesta quinta-feira (5), a instituição celebrou 136 anos reafirmando seu papel como uma das principais guardiãs da memória baiana. A data foi marcada pela entrega de melhorias estruturais, anúncios de novos investimentos e pelo reconhecimento internacional do acervo.

Durante a cerimônia, o governador Jerônimo Rodrigues destacou a importância do equipamento para a preservação histórica e para a construção da identidade do povo baiano.

A celebração ganhou ainda mais relevância com o reconhecimento regional concedido pela UNESCO, por meio do Programa Memória do Mundo. A coleção Passaportes de Escravizados, Libertos, Livres e Africanos (1821–1889), que integra o acervo colonial do Arquivo Público da Bahia, passou a fazer parte do Registro Regional da América Latina e Caribe. Os documentos são fontes valiosas para pesquisas sobre o período da escravidão e sobre a circulação de pessoas no Brasil do século XIX.

Com essa inclusão, o Arquivo Público da Bahia torna-se a primeira instituição baiana a alcançar essa etapa do programa e passa a concorrer ao reconhecimento global da UNESCO.

“Preservar a memória é um compromisso com o passado, mas também com o futuro. Garantir que esse prédio seja definitivamente do Estado é proteger um patrimônio que pertence ao povo baiano. E o reconhecimento da Unesco mostra que o que está guardado aqui tem importância para o mundo”, afirmou o governador.

Outro anúncio importante foi a resolução definitiva do processo judicial que envolvia o prédio-sede do Arquivo, instalado no Solar da Quinta, imóvel histórico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1949.

A Justiça homologou acordo que reconheceu o pagamento integral de R$ 8 milhões pelo Governo do Estado, encerrando a disputa judicial e eliminando o risco de leilão do imóvel. Com a decisão, a permanência do Arquivo em sua sede histórica fica definitivamente assegurada.

A cerimônia também marcou a entrega de melhorias estruturais no equipamento cultural. Entre as novidades está a implantação do Laboratório de Digitalização, instalado por meio de convênio federal com o Ministério da Cultura, com investimento de R$ 100 mil. O espaço recebeu câmeras profissionais, scanners planetários A3, computadores de alto desempenho e notebooks, ampliando a capacidade de preservação e acesso digital aos documentos.

Outra intervenção foi a requalificação da antiga Sala do Pesquisador, que agora passa a se chamar Sala Dr. Luiz Gama, em homenagem ao jurista e abolicionista Luiz Gama. O espaço ganhou novos equipamentos, mobiliário e climatização, com investimento de R$ 50 mil da Fundação Pedro Calmon.

Segundo o secretário de Cultura, Bruno Monteiro, a modernização reforça a política de democratização do acesso ao acervo histórico. “Estamos modernizando o Arquivo para ampliar o acesso e proteger ainda mais os documentos. A digitalização garante preservação e democratiza o conhecimento”, destacou.

Para o diretor do Arquivo Público, Jorge X, os investimentos fortalecem o trabalho técnico da instituição e ampliam o atendimento a pesquisadores.

Durante a comemoração também foram anunciadas autorizações, no âmbito do Novo PAC, para abertura de processos licitatórios voltados à elaboração de projetos de restauro de importantes espaços históricos e culturais da Bahia. A iniciativa envolve parceria entre o Ministério da Cultura, a Secretaria de Cultura do Estado e o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC).

Entre os imóveis contemplados estão a Faculdade de Medicina da Bahia, o Convento de Santa Clara do Desterro, o Ilê Maroia Laji conhecido como Terreiro do Alaketu, a Casa do Samba de Santo Amaro e a Casa Berquó e Sete Candeeiros, onde será implantado o Centro de Referência do Patrimônio.

As autorizações ampliam a agenda de preservação do patrimônio histórico no estado e reforçam o compromisso do poder público com a valorização da memória e da cultura baiana.