Advogado de dono de camarote interditado na Barra é preso ao tentar acessar celular apreendido
Operação Falsas Promessas 3 revela indícios de lavagem de dinheiro, empresas de fachada e bloqueio milionário de bens; proprietário e defensor seguem em prisão preventiva
Por: Redação
16/02/2026 • 10h27
Com o Carnaval de Salvador já em andamento, a interdição do Camarote 305, no circuito Dodô (Barra/Ondina), segue repercutindo e adicionando novos desdobramentos à investigação conduzida pela Polícia Civil da Bahia. O advogado do proprietário do espaço foi preso em flagrante após, segundo a polícia, tentar acessar remotamente um celular que havia sido apreendido durante o cumprimento de mandados da Operação Falsas Promessas 3.
O dono do camarote, Diogo Santos de Almeida, conhecido como “Diogo 305”, foi preso na quarta-feira (11). As duas prisões foram convertidas em preventivas pela Justiça.
De acordo com informações da corporação, o advogado, que também era alvo de busca e apreensão, teria tentado interferir na investigação ao acessar, à distância, um dos aparelhos recolhidos durante a operação. A conduta foi interpretada como tentativa de obstrução de Justiça, resultando na prisão em flagrante.
As autoridades apontam que o próprio camarote estava formalmente registrado em nome do defensor, o que ampliou o escopo das apurações sobre eventual participação no esquema investigado.
A Operação Falsas Promessas é conduzida pelo Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (Draco). Segundo o delegado Fábio Lordello, responsável pelas investigações, o Camarote 305 seria uma das empresas utilizadas para lavar recursos provenientes da exploração ilegal de rifas online.
A suspeita central é de que o grupo utilizava rifas virtuais com valores baixos e grande alcance nas redes sociais para movimentar cifras elevadas, dificultando o rastreamento do dinheiro. Os prêmios divulgados poderiam chegar a R$ 200 mil, o que ampliava o engajamento dos participantes.
A polícia apura se os prêmios eram efetivamente entregues aos vencedores e se há conexão entre os valores movimentados e outras atividades ilícitas, incluindo possível ligação com o tráfico de drogas.
Durante o cumprimento dos mandados, com apoio da Coordenação de Operações e Recursos Especiais (Core) e do Serviço Aeropolicial (Saer), a Polícia Civil apreendeu uma série de bens de alto valor atribuídos ao investigado: quase R$ 130 mil em espécie; dez veículos, incluindo uma Lamborghini avaliada em R$ 2,5 milhões; duas Toyota SW4 blindadas com estrobos e sirenes; duas bicicletas elétricas; uma pistola 9 mm; cerca de mil munições de calibres 5.56 e 9 mm; cinco carregadores de fuzil; uma scooter subaquática; cinco caixas de som tipo boombox; 15 caixas de uísque 21 anos; quatro caixas de iPhones 17; cinco caixas de PlayStation lacradas; um avião avaliado em mais de R$ 10 milhões, apreendido em hangar.
Além disso, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 125 milhões em contas ligadas aos investigados. Mandados também foram cumpridos contra outros 13 alvos nas cidades de Feira de Santana, Salvador e Camaçari, na Bahia, além de São Paulo e São Bernardo do Campo.
O estopim para o aprofundamento das apurações foi a ostentação nas redes sociais, incluindo a aquisição e exibição de uma aeronave particular. Reportagem exibida pelo programa Fantástico revelou que a movimentação financeira incompatível com a renda declarada chamou a atenção das autoridades.
Desde o sábado (14), o espaço do camarote interditado está sendo utilizado pela própria polícia como ponto estratégico de observação da folia no circuito Dodô, um símbolo da reviravolta que transformou o centro da festa em cenário de investigação em pleno Carnaval.
Enquanto a festa acontece nas ruas, as apurações avançam. A Polícia Civil busca esclarecer a extensão da rede financeira, a origem dos recursos e a eventual participação de outros integrantes. O caso lança novas luzes sobre o uso de estruturas empresariais no Carnaval como possíveis engrenagens de esquemas milionários. A investigação segue em andamento.
Até o fechamento desta matéria, a defesa dos investigados não foi localizada para comentar o caso. O espaço permanece aberto para manifestações.

