Vorcaro enfrenta pressão para devolver R$ 60 bilhões e salvar acordo de delação
Autoridades consideram insuficiente proposta de ressarcimento em dez anos e cobram pagamento mais rápido após rombo bilionário do Banco Master
Por: Redação
19/05/2026 • 10h14 • Atualizado
Investigadores que acompanham o caso do Banco Master avaliam que o empresário Daniel Vorcaro terá de devolver cerca de R$ 60 bilhões em um prazo reduzido para que sua proposta de delação premiada avance. Caso contrário, o entendimento dentro da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do Supremo Tribunal Federal (STF) é de que o acordo pode ser rejeitado.
Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, Vorcaro apresentou uma proposta para devolver aproximadamente R$ 40 bilhões ao longo de dez anos. O plano, no entanto, foi recebido com resistência pelas autoridades envolvidas nas negociações.
Integrantes da investigação afirmam que a legislação brasileira não permite descontos sobre o valor do prejuízo causado aos cofres públicos e ao sistema financeiro. Por isso, parte das autoridades entende que o montante integral do dano deve ser ressarcido.
Além do valor abaixo do esperado, o prazo de dez anos também gerou críticas. Nos bastidores, investigadores citam experiências anteriores envolvendo acordos firmados durante a Operação Lava Jato e no caso da J&F, dos irmãos Batista. Em diferentes situações, empresas e empresários tentaram renegociar pagamentos, reduzir multas ou até suspender parcelas na Justiça.
O ministro André Mendonça, do STF, teria sinalizado a advogados de Vorcaro que considera excessivo o período proposto para quitação. A avaliação é de que um pagamento em prazo menor teria mais credibilidade, mesmo que o valor final fique abaixo dos R$ 60 bilhões inicialmente cobrados.
Outro fator que pesa contra Vorcaro é a liquidação do Banco Master. Diferentemente de outras companhias envolvidas em grandes acordos de leniência, o empresário não possui atualmente uma estrutura empresarial ativa capaz de gerar receita suficiente para sustentar pagamentos ao longo de vários anos.
Para demonstrar capacidade financeira e boa-fé nas negociações, autoridades defendem que Vorcaro apresente detalhes sobre a localização de recursos e patrimônio vinculados ao caso. Entre os ativos que poderiam ser usados para ressarcimento estariam valores mantidos no exterior, fundos financeiros, imóveis, aeronaves, obras de arte e outros bens.
Investigadores consideram Vorcaro o principal responsável pelo esquema que levou ao colapso do banco. Dados oficiais apontam que os prejuízos já ultrapassam R$ 57 bilhões.
Somente o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) deverá desembolsar cerca de R$ 51,8 bilhões para ressarcir clientes da instituição financeira. O fundo é abastecido por contribuições feitas pelos próprios bancos que operam no país.

