Premiê da Alemanha se manifesta sobre vitória da extrema direita e reafirma permanência no cargo
Por: Redação
07/09/2026 • 20h20
Friedrich Merz expressou choque com o resultado das eleições na Saxônia-Anhalt, onde a AfD obteve 43,8% dos votos, mas descartou deixar o cargo.
O primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, comentou nesta segunda-feira (7) a vitória expressiva do partido AfD (Alternativa para a Alemanha) nas eleições de Saxônia-Anhalt, onde a legenda ultrapassou 43% dos votos, marcando um novo recorde para a extrema direita no país desde a Segunda Guerra Mundial.
Merz, em entrevista na sede da CDU em Berlim, demonstrou estar "profundamente chocado" com o resultado, mas afastou a ideia de deixar seu cargo. Ele enfatizou que é necessário aceitar o resultado eleitoral, embora tenha ressaltado que os princípios da democracia e os valores constitucionais não devem ser colocados em votação.
A AfD, que se destaca por sua plataforma populista e por apelar à nostalgia dos eleitores da antiga Alemanha Oriental, teve um desempenho muito superior ao de 2024 na Turíngia, onde conquistou 32,8% dos votos. O partido é visto pelos serviços de inteligência alemães como uma força de extrema direita, embora tente contestar essa classificação.
Em resposta à vitória da AfD, cerca de 5.000 manifestantes participaram de um protesto em frente ao Portão de Brandemburgo, em Berlim. Merz observou que a vitória estava sendo comemorada a 2.500 km de Berlim, referindo-se à Rússia, mas reafirmou que isso não mudaria o apoio da Alemanha à Ucrânia. A AfD, por sua vez, defende uma reaproximação com Moscou, visando restabelecer o fornecimento de gás natural.
O premiê também mencionou preocupações com a segurança interna, citando ações relacionadas à Rússia. Recentemente, seu gabinete acusou o país de estar por trás de um ataque que envolveu um drone carregado de explosivos.
Com a nova configuração política, a AfD, que conquistou 39 cadeiras no Parlamento, deve indicar Ulrich Siegmund como seu candidato a ministro-presidente. No entanto, para garantir uma maioria, o partido precisará negociar com a BSW, uma legenda que se autodenomina de esquerda e conservadora. As negociações podem levar semanas e, se não houver acordo, novas eleições podem ser convocadas.
Merz, em meio a essa turbulência política, se comprometeu a seguir com seu pacote de reformas, que, segundo ele, requer uma melhor explicação ao público.
Fonte: Política Livre

