PF aponta Lulinha como envolvido em esquema de tráfico de influência
Por: Redação
20/08/2026 • 21h35
Investigação revela relação econômica entre Fábio Luís Lula da Silva e lobista em negociações com o governo. Defesa questiona validade do inquérito.
A Polícia Federal identificou que Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, estava em "comunhão de interesses econômicos" com a lobista Roberta Luchsinger, que atuava para conseguir contratos com o governo federal. Essa informação foi revelada em uma representação que resultou na abertura de um inquérito sob suspeitas de tráfico de influência e corrupção.
O documento, que permanece sob sigilo, sugere que Lulinha, Roberta e Fernando Bittar, empresário relacionado ao sítio de Atibaia investigado na Operação Lava Jato, mantinham uma "sociedade oculta" voltada para negócios envolvendo cannabis medicinal, tentando vender produtos ao Ministério da Saúde.
Os delegados da PF afirmaram que as ações de Lulinha e seus associados ultrapassaram os limites éticos e legais, buscando facilitar contratos públicos e promover mudanças legislativas em benefício próprio. O relatório também indica que Roberta tinha um papel ativo na articulação de interesses relacionados ao canabidiol junto a autoridades do governo e que Lulinha estaria diretamente envolvido nesses esforços.
Documentação da PF sugere que Lulinha é um "beneficiário indireto" da atuação de Roberta, que buscava facilidades para a venda de medicamentos ao governo. As investigações estão sob a relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, e Lulinha enfrenta outros dois inquéritos na mesma corte.
A defesa de Lulinha contestou a legitimidade da investigação, alegando que não há evidências de crime, e que, se ele não fosse filho do presidente, o inquérito já estaria arquivado. A defesa de Roberta não se manifestou, enquanto a de Bittar não foi localizada.
O material da PF também revela que Roberta, em troca de mensagens, mencionou a necessidade de tirar Lulinha do Brasil até 2025, ano em que ele se mudou para a Espanha. Além disso, foi identificado que Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete de Lula, teria intermediado uma reunião entre Roberta e um secretário do Ministério da Saúde sobre a venda de canabidiol, embora as propostas não tenham avançado.
A Procuradoria-Geral da República solicitou que o inquérito fosse transferido para a primeira instância, argumentando que não há autoridades com foro, mas o ministro Mendonça planeja manter a investigação sob sua relatoria. O caso levanta discussões sobre a atuação de autoridades e os procedimentos legais envolvidos nas investigações.
Fonte: Política Livre

