PCC infiltra empresas de ônibus em SP há 30 anos, revela investigação
Por: Redação
19/09/2026 • 12h14
Investigação aponta que o Primeiro Comando da Capital controla empresas de ônibus em São Paulo, utilizando o setor para lavagem de dinheiro.
A infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte de ônibus de São Paulo é um fenômeno que se estende por três décadas, iniciando com a consolidação do grupo criminoso na região. Esse processo coincidiu com a regularização do transporte coletivo em áreas periféricas e com a ascensão de figuras políticas ligadas ao setor.
Entre os alvos da operação realizada nesta quinta-feira (17), está o ex-vereador Milton Leite (União Brasil), que se entregou à polícia em Mogi das Cruzes na sexta-feira (18). A Justiça autorizou a prisão temporária de 16 pessoas e a realização de buscas em 18 locais no estado. A Operação Vectura Corrupta investiga a facção por controlar 12 empresas de ônibus na Grande São Paulo, utilizando-as para lavagem de dinheiro.
Uma das empresas alvo da investigação é a Transwolff, que atua na zona sul da cidade, a qual nega qualquer irregularidade. O ex-presidente da Câmara Municipal, Milton Leite, é descrito como o "dono de fato" da Transwolff e supostamente teria papel direto em sua operação. Em entrevista, Leite negou qualquer vínculo com a empresa ou com o PCC.
A história da Transwolff reflete a trajetória de outras empresas de ônibus envolvidas no esquema. Nos anos 1990, após a privatização da Companhia Municipal de Transportes Coletivos (CMTC), vans clandestinas proliferaram nas periferias, atraindo o interesse de membros do PCC. O promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco, destaca que o crescimento do setor clandestino ocorreu em meio à ascensão do PCC, que foi criado em 1993.
Em 2003, durante a gestão de Marta Suplicy, o serviço foi reorganizado, permitindo que cooperativas de transporte surgissem. Membros do PCC passaram a adquirir vans e cotas dessas cooperativas, ganhando controle sobre elas. O caso da Cooperpam, que mais tarde se transformou na Transwolff, é emblemático. Luiz Carlos Pacheco, conhecido como Pandora, foi investigado em 2006 por supostas ligações com o PCC, mas o inquérito foi arquivado por falta de provas.
Em 2024, Pandora foi alvo da operação Fim da Linha, sob acusação de fraudar a contabilidade da Transwolff para ocultar recursos do tráfico de drogas. A investigação revelou que diretores da empresa acumulavam bens incompatíveis com suas rendas declaradas, incluindo carros e imóveis de luxo.
Paulo Korek Farias, dono da A2 Transportes, também foi mencionado na operação como parte do esquema de lavagem de dinheiro. Ele e sua empresa negam qualquer envolvimento ilegal. Anteriormente, o vereador Senival Moura (PT) foi preso sob suspeitas semelhantes, após mensagens indicarem seu papel em um esquema de lavagem de dinheiro.
Segundo Gakiya, o setor de ônibus se tornou um canal acessível para financiar operações criminosas. Em 2022, a prefeitura de São Paulo destinou R$ 7,1 bilhões em subsídios para as empresas de ônibus. A cientista política Jacqueline Muniz afirma que a infiltração do PCC em serviços públicos constrói uma estrutura de poder em parceria com o Estado, permitindo à facção regular a vida cotidiana e expandir sua influência econômica e política.
A gestão do prefeito Ricardo Nunes afirmou que não compactua com irregularidades e que um grupo de trabalho foi formado para investigar o caso com rigor.
Fonte: Política Livre

