Oposição quer adiar discussão sobre fim da escala 6x1 até após eleições
Por: Redação
14/08/2026 • 21h10
A proposta para acabar com a escala 6x1 foi desbloqueada no Senado, mas a oposição sugere que a votação ocorra somente após as eleições.
A discussão sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extinguiria a escala 6x1 deverá ser postergada para após as eleições, segundo a oposição. A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência está apoiando um projeto alternativo que prevê uma "jornada de trabalho flexível" e resiste à proposta do governo Lula.
A PEC para o fim da escala 6x1 foi destravada na última sexta-feira (14), após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), se reunir com o presidente Lula. O senador pretende enviar o texto à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), e o governo articula para que a votação ocorra em plenário até o início de setembro.
Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, afirmou que a votação não deve acontecer antes do pleito. Ele defendeu que a discussão não deve ser contaminada pelo processo eleitoral, ressaltando a importância da liberdade na definição da jornada de trabalho e a prevalência do negociado sobre o legislado.
Marinho é o autor da PEC que propõe a jornada flexível, apresentada em maio, que sugere um novo regime de trabalho baseado no pagamento por hora trabalhada, priorizando contratos individuais em relação a acordos coletivos. Apesar da tentativa de adiar a debate, a oposição se prepara para confrontar a proposta se ela for pautada antes das eleições.
Uma pesquisa do Datafolha, divulgada em março, mostrou que 71% dos brasileiros são a favor do fim da escala 6x1, um aumento em relação a 64% em dezembro. O governo está mobilizando lideranças dos principais partidos do Senado para a votação, enquanto Lula planeja usar a questão em sua campanha para pressionar os adversários a se posicionarem sobre um tema popular.
O Congresso deve retomar as votações entre 31 de agosto e 4 de setembro, no chamado esforço concentrado. Além da PEC da 6x1, o governo ainda busca aprovação de outras duas propostas prioritárias: a política nacional de minerais críticos e a PEC da Segurança Pública.
Flávio Bolsonaro, em seu plano de governo, defende a proposta de Marinho sem citá-la diretamente e sugere a criação de uma carteira de trabalho especial para jovens de 18 a 24 anos, semelhante à ideia da "carteira verde-amarela" que foi proposta durante o governo de seu pai, mas que foi revogada. A nova carteira visa facilitar a entrada de jovens no mercado de trabalho, incluindo um modelo de contrato para pessoas acima de 50 anos que estejam desempregadas há mais de um ano.
Fonte: Política Livre

