ONG financiada pelo governo apoia campanha paralela de Lula
Por: Redação
19/09/2026 • 11h31
João Paulo Mehl, fundador de uma ONG que recebeu R$ 5,6 milhões do governo federal, está liderando uma campanha em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Essa iniciativa, chamada de Movimento Cultura com Lula, abrange ações online e eventos presenciais em todos os Estados do Brasil.
A campanha conta com a participação de servidores do Ministério da Cultura (MinC) e com integrantes dos Pontos de Cultura, que foram ampliados durante a gestão petista. A estrutura do movimento utiliza a infraestrutura da Rede Livre, que possui mais de mil blogs e influenciadores favoráveis ao governo. O secretário-executivo do MinC, Márcio Tavares, coordena as atividades do Movimento.
Embora a legislação exija que todos os sites de campanha sejam registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as páginas e perfis utilizados pelo Cultura com Lula não estão registrados, conforme afirmam os organizadores. Eles sustentam que se trata de uma ação espontânea e sem vínculos com a campanha oficial de Lula.
A assessoria do presidente reforçou que o movimento não faz parte da sua campanha oficial. Mehl defende que é um direito de qualquer cidadão participar politicamente e que a iniciativa é democrática e sem vínculos institucionais.
O Ministério da Cultura também afirmou que orientou seus funcionários a seguir a legislação eleitoral e que não há uso da estrutura da pasta em atividades políticas. Contudo, destacou que os agentes têm o direito de se manifestar politicamente em caráter pessoal.
O Movimento Cultura com Lula é sustentado por membros dos Pontos de Cultura, que passaram de 4.000 para 17.000 durante o atual governo, recebendo R$ 240 milhões apenas no ano passado. Durante as campanhas de rua, militantes exibem faixas com a frase "pontos de cultura com Lula".
A primeira-dama, Janja, deu seu apoio ao movimento, participando de um evento virtual no dia 14, onde incentivou a participação política e criticou a família Bolsonaro. A transmissão teve mais de 21 mil visualizações.
Além de material para a confecção de camisetas e divulgação nas redes sociais, o movimento se organiza em grupos de WhatsApp, misturando mensagens políticas e comunicações institucionais. O site do movimento, registrado em nome de Mehl, é vinculado à Rede Livre, que promove campanhas de doações e possui mais de 1.300 sites na América Latina.
Mehl, que também é dono da ONG Coletivo Soylocoporti, recebeu R$ 3,4 milhões do MinC e R$ 2,3 milhões do Ministério das Cidades desde 2023. A ONG foi escolhida para coordenar o Comitê de Cultura do Paraná. Em 2024, Mehl se candidatou a vereador em Curitiba, promovendo um ato com a ministra Margareth Menezes.
As regras eleitorais proíbem propaganda em sites de pessoas jurídicas, mas Mehl não esclareceu se há uma separação entre as estruturas da Rede Livre e do Cultura com Lula, limitando-se a dizer que a rede é um coletivo de ativistas. O contrato da ONG com o Ministério das Cidades, assinado para fortalecer a cobertura vegetal e a articulação comunitária em áreas de risco, soma R$ 2,3 milhões.
Fonte: Política Livre

