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Jornalista será julgado em dezembro por extorsão após investigações do STF

Por: Redação

22/08/202614h53

Luís Pablo Conceição Almeida, investigado no STF, enfrenta julgamento por extorsão a políticos e empresários no Maranhão.

O jornalista Luís Pablo Conceição Almeida, sob investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) por publicar textos criticando o ministro Flávio Dino, será julgado em dezembro na 2ª Vara Criminal do Maranhão. Ele é acusado de fazer parte de um esquema de extorsão que visava políticos e empresários do estado.

As investigações da Operação Turing, iniciadas em 2017, revelaram que Luís Pablo integrava um grupo de blogueiros que recebia informações sigilosas de um policial federal sobre inquéritos em andamento. Em troca, eles cobravam entre R$ 1,5 mil e R$ 10 mil para não divulgar essas informações. Segundo o Núcleo de Inteligência Policial do Maranhão, os alvos da extorsão utilizavam os dados vazados para evitar a captura ou destruir provas.

Na época das investigações, Flávio Dino era governador e exonerou o policial federal de sua função na Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (Seap). Luís Pablo foi preso no dia da operação, mas liberado poucas horas depois. Em declarações à Folha, o jornalista, que possui registro profissional, afirmou que as testemunhas no processo negaram qualquer coerção ou extorsão por parte dele. Sua defesa questiona a validade das interceptações telefônicas que servem como prova no caso.

A audiência de julgamento foi agendada para o dia 15 de dezembro. O Ministério Público acusa Luís Pablo de participar de organização criminosa, corrupção ativa, extorsão e obstrução de Justiça. Ele se tornou um foco de polêmica no STF após a publicação de reportagens sobre Dino, levando o ministro Alexandre de Moraes a autorizar buscas contra seus informantes, o que gerou debates sobre o sigilo da fonte e a exigência de diploma para jornalistas.

Moraes argumentou que a segurança de Dino e de sua família estaria em risco devido a práticas criminosas em investigação, e afirmou que o sigilo da fonte não pode ser utilizado como proteção para atos ilícitos. O STF confirmou que as buscas foram necessárias para investigar possíveis monitoramentos ilegais relacionados ao ministro, após publicações que expuseram detalhes de sua segurança.

Dino expressou em suas redes sociais que não aceita ser alvo de crimes e lamentou a disseminação de fake news. Em um relatório, a Polícia Federal afirmou não ter evidências de que Luís Pablo tenha sido pago para veicular reportagens negativas sobre o ministro.

Além disso, Moraes absolveu sumariamente o blogueiro Antônio Marcelo Rodrigues da Silva, conhecido como Marcelo Minard, de acusações de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro, em um caso derivado da Operação Turing. A investigação inicial resultou em novas apurações contra Minard por desvios de verbas da prefeitura de Paço do Lumiar, onde ele atuava como assessor de um deputado.

Embora absolvido de certos delitos, Minard também enfrentará julgamento em dezembro no caso de extorsão ao lado de Luís Pablo. O radialista que procurou a Folha enviou o contato do advogado para esclarecimentos, mas não obteve resposta até o momento.

Fonte: Política Livre