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Filme sobre Jair Bolsonaro tem registro na Ancine em meio a investigações

Por: Redação

24/08/202622h00

A produção 'Dark Horse' recebeu registro, mas ainda precisa de certificados para ser exibida comercialmente no Brasil.

O longa de ficção intitulado "Dark Horse", que retrata o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), obteve o Registro de Obra Estrangeira (ROE) da Agência Nacional do Cinema (Ancine) no dia 7 de agosto. Esse registro é o primeiro passo para o lançamento do filme no Brasil. Contudo, para sua comercialização, a produção ainda necessita do Certificado de Registro de Título (CRT), que a distribuidora Europa Filmes ainda não solicitou.

Além disso, o filme precisa passar pela classificação indicativa do Ministério da Justiça antes de estrear nos cinemas. Com uma duração de uma hora e 40 minutos, a obra, que deve ser chamada de "O Azarão" no Brasil, ainda não tem data definida para lançamento.

O pedido de registro foi feito em junho, período em que surgiu um processo administrativo contra a produtora Go Up Entertainment, que pode resultar em multas que variam de R$ 2.000 a R$ 100 mil. A empresa não comunicou à Ancine sobre as filmagens no Brasil, que foram realizadas em inglês e dirigidas e estreladas por americanos.

A Go Up Entertainment também foi alvo de uma operação da Polícia Civil em junho, que investiga possíveis irregularidades e desvios em um contrato municipal de R$ 108 milhões, firmado pela gestão de Ricardo Nunes (MDB) com o ICB (Instituto Conhecer Brasil), presidido por Karina Ferreira da Gama, proprietária da produtora. O contrato visava fornecer wi-fi gratuito a comunidades carentes.

Além disso, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a Polícia Federal a acessar provas coletadas para aprofundar a investigação sobre a destinação de emendas parlamentares à produtora. O filme também impacta a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência, especialmente após a divulgação de áudios em que ele solicita R$ 61 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para finalizar a obra.

Os recursos sob investigação da Polícia Federal são provenientes de deputados do PL, como Mário Frias (SP), Bia Kicis (DF) e Marcos Pollon (MS). Mário Frias é considerado um possível intermediário de Flávio nas negociações com Vorcaro. Ele nega que os repasses estejam ligados ao filme e afirma que a verba era destinada a "projetos sociais devidamente estruturados e supervisionados por órgãos federais", acrescentando que "não há um único centavo" de Vorcaro no longa. As transações de Vorcaro e as interações com Flávio estão sob análise em outra investigação, que é relatada pelo ministro André Mendonça.

Fonte: Política Livre