Estudo revela discrepâncias raciais entre candidatos à Câmara
Por: Redação
25/09/2026 • 12h50
Pesquisa mostra que um terço dos candidatos que se autodeclaram negros ou pardos é considerado branco por especialistas.
Um estudo realizado pelo Instituto Dara, vinculado à Universidade Estadual do Rio de Janeiro, revelou que mais de um terço dos candidatos à Câmara dos Deputados que se autodeclaram negros ou pardos são classificados como brancos por especialistas em raça. A pesquisa analisou a autodeclaração de 7.610 candidatos e a classificação racial feita por cinco pesquisadores independentes.
Os dados, coletados com base nas eleições de 2022, mostraram que 1.331 candidatos, o que representa 36%, não foram reconhecidos racialmente da mesma forma que se registraram. Essa discrepância pode ser atribuída a erros na autodeclaração ou, em alguns casos, a fraudes. Para garantir a representação de grupos raciais, a legislação brasileira exige que 30% dos recursos do fundo eleitoral sejam destinados a candidatos pretos ou pardos.
O levantamento também revelou que o partido União Brasil lidera em discrepâncias raciais, com 24% das ocorrências, seguido por PP (22%), Podemos (22%) e PSTU (21%). Entre os deputados que se destacam nesse ranking, estão Silvye Alves, Elmar Nascimento e Domingos Neto, que se autodeclararam pardos, mas foram considerados brancos pelos classificadores.
A autodeclaração é feita pelo próprio candidato no momento do registro eleitoral, sem passar por verificação. Casos de fraude podem resultar na cassação do mandato e punições legais. Luiz Augusto Campos, um dos autores da pesquisa, sugere que muitos registros errados podem ser fruto de desleixo e não de intenção fraudulenta.
O estudo complementa outro levantamento do Núcleo de Estudos Raciais do Insper, que analisou o desequilíbrio racial entre candidatos e eleitos ao Congresso. Embora a esquerda tenha mais candidatos negros, a direita apresenta taxas de sucesso mais altas na eleição desses candidatos.
Fonte: Política Livre

