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Doadores da campanha de Lula incluem ocupantes de cargos públicos

Por: Redação

27/09/2026 • 12h20

A maioria das doações significativas à reeleição de Lula veio de pessoas que ocupam cargos no governo ou em estatais.

Dados parciais de prestação de contas revelam que a maioria das contribuições mais relevantes à campanha de reeleição do presidente Lula (PT) provém de pessoas que ocupam cargos no governo ou em empresas estatais. Dentre as 76 doações diretas, que somam ao menos R$ 2.500 e não foram feitas por meio de financiamento coletivo, 57 são de indivíduos que estão em cargos públicos.

Essas doações totalizam R$ 425 mil, sendo R$ 355 mil oriundos de transferências bancárias e R$ 70 mil em serviços prestados. Embora o montante represente uma parcela pequena dos R$ 66,9 milhões arrecadados pela campanha até o momento — dos quais R$ 65,2 milhões vieram de fundos eleitoral e partidário —, é superior aos R$ 283 mil obtidos via financiamento coletivo. Os dados foram coletados na plataforma Divulgacand, mantida pela Justiça Eleitoral, na quarta-feira (23).

Os doadores ocupam diversas posições no governo, incluindo ministros, secretários, diretores e assessores, além de dirigentes de estatais. Destes, oito acumulam cargos em conselhos de estatais, recebendo remuneração adicional, conhecida como jeton. Um dos doadores afirmou que fez a transferência após perceber a baixa arrecadação da campanha e que, em 13 de setembro, houve um esforço para aumentar as doações entre os apoiadores.

Embora tenha ocorrido um aumento no engajamento com a campanha nas últimas semanas, motivado pelo receio de uma derrota para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), petistas negam qualquer pressão para doações. Das 386 doações individuais, 314 foram registradas após 13 de setembro.

Entre os doadores que ocupam cargos no governo estão cinco ministros: Miriam Belchior (Casa Civil), que doou R$ 28 mil; Luiz Marinho (Trabalho), que contribuiu com R$ 24 mil; José Guimarães (Relações Institucionais), com R$ 13 mil; Leonardo Barchini (Educação), que doou R$ 10 mil; e Márcia Lopes (Mulheres), que contribuiu com R$ 4 mil. Guimarães negou que tenha havido qualquer recomendação do governo para que os ministros fizessem doações, afirmando que a contribuição foi uma iniciativa pessoal.

Fernando Neisser, professor da FGV e especialista em direito eleitoral, ressaltou que essa prática é comum e, a princípio, não apresenta irregularidades, desde que não haja coação ou pressão direta. A campanha de Lula também negou qualquer solicitação de doações aos membros do governo, afirmando que as contribuições são voluntárias e individuais, conforme permitido pela legislação eleitoral.

Os ministérios mencionados na reportagem, incluindo Educação, Trabalho, e Relações Institucionais, declararam que não houve orientação ou solicitação para que integrantes realizassem doações, enfatizando que essas decisões são pessoais e não estão relacionadas à atuação institucional das pastas.

Fonte: Política Livre