PF intensifica investigação e defesa de Ciro Nogueira deixa o caso
Escritório de Kakay deixa caso após senador entrar na mira da Operação Compliance Zero, que apura influência política e pagamentos indevidos
Por: Redação
11/05/2026 • 17h01
O senador Ciro Nogueira deixou de ser representado pelo escritório do criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro no inquérito da Operação Compliance Zero, investigação conduzida pela Polícia Federal que apura suspeitas de favorecimento político ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (11) pela banca Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados.
Segundo comunicado oficial, a saída da equipe jurídica ocorreu em comum acordo entre o parlamentar e o escritório responsável pela defesa até então. A mudança acontece poucos dias após o senador se tornar alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na última quinta-feira (7). Na operação, endereços ligados a Ciro Nogueira foram alvo de mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
“O escritório Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados vem comunicar que, em comum acordo com o senador Ciro Nogueira, não seguirá atuando para o parlamentar neste caso”, afirmou a nota assinada por Kakay, Roberta Castro Queiroz, Marcelo Turbay, Liliane de Carvalho, Álvaro Chaves e Ananda França.
De acordo com a investigação da Polícia Federal, o senador é suspeito de receber valores periódicos de Daniel Vorcaro em troca de atuação política alinhada aos interesses do Banco Master no Congresso Nacional. Os investigadores apontam que o parlamentar teria utilizado a influência do mandato para defender pautas relacionadas ao banqueiro. A apuração indica uma suposta relação financeira contínua entre os dois.
Segundo a decisão judicial que autorizou as diligências, os investigadores identificaram indícios de que Ciro Nogueira teria recebido inicialmente R$ 300 mil mensais, valor que posteriormente teria subido para R$ 500 mil por mês. A Polícia Federal sustenta ainda que os pagamentos teriam ocorrido de forma sistemática, dentro de uma estrutura investigada por suposta rede de influência política e econômica ligada ao empresário do setor financeiro. Além das suspeitas de repasses financeiros, o relatório da investigação descreve benefícios que teriam sido oferecidos por Daniel Vorcaro ao senador.
Entre os itens mencionados está a suposta cessão gratuita de um imóvel de alto padrão para uso do parlamentar por prazo indeterminado. A PF também aponta despesas relacionadas a viagens internacionais que teriam sido custeadas pelo banqueiro. Os documentos citam hospedagens em hotéis de luxo, incluindo o Park Hyatt, em Nova York, além de gastos em restaurantes de alto padrão e despesas de deslocamento internacional atribuídas ao senador e à acompanhante. Outro ponto destacado pelos investigadores é a suposta disponibilização de um cartão para pagamento de despesas pessoais relacionadas ao parlamentar.
Antes de deixar o caso, a equipe jurídica liderada por Kakay havia contestado as suspeitas levantadas pela investigação. Após a operação da PF, os advogados afirmaram que não identificavam ilegalidades nas condutas atribuídas ao senador, especialmente no exercício da atividade parlamentar. Com o desligamento do escritório Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados, ainda não foi anunciada oficialmente a nova equipe responsável pela defesa de Ciro Nogueira.
A saída de Antônio Carlos de Almeida Castro chamou atenção pelo histórico do advogado em processos de grande impacto político e empresarial no país. Conhecido nacionalmente como Kakay, o criminalista atua há décadas na defesa de políticos, empresários e autoridades investigadas em operações de repercussão nacional. Ao longo da carreira, ele representou nomes como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-ministro José Dirceu, o senador Renan Calheiros e o deputado federal Aécio Neves. Kakay também atuou em processos ligados à Operação Lava Jato e é considerado um dos advogados criminalistas mais influentes do meio político em Brasília.
A Operação Compliance Zero segue em andamento e busca aprofundar as investigações sobre supostos esquemas de influência política, pagamentos indevidos e favorecimentos relacionados ao Banco Master e a Daniel Vorcaro. As autoridades continuam analisando documentos, movimentações financeiras e materiais apreendidos durante as diligências realizadas pela Polícia Federal. O caso tramita sob supervisão do Supremo Tribunal Federal devido ao foro privilegiado do senador investigado.

