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Oposição cobra transparência e critica novo repasse milionário ao transporte público de Salvador

Vereadores questionam subsídio de R$ 80 milhões e defendem mudanças estruturais antes de novo aporte ao sistema

Por: Redação

17/06/202610h01

Foto: Antonio Queirós/CMS

O projeto da Prefeitura de Salvador que prevê a liberação de R$ 80 milhões para o sistema de transporte público municipal dominou os debates da 35ª sessão ordinária da Câmara Municipal, realizada nesta terça-feira (16). Encaminhada em regime de urgência pelo Executivo, a proposta deve ser votada nesta quarta-feira (17) e já enfrenta questionamentos de parlamentares da oposição.

A matéria autoriza a concessão de um novo subsídio às empresas que operam o transporte coletivo da capital, incluindo os ônibus convencionais e as vans do Sistema de Transporte Especial Complementar (STEC). Para vereadores críticos à proposta, a medida representa mais um aporte financeiro sem a apresentação de soluções duradouras para os problemas enfrentados diariamente pelos usuários.

Presidente da Comissão de Transporte, Trânsito e Serviços Públicos Municipais, o vereador Hélio Ferreira (PCdoB) afirmou que o debate sobre o subsídio precisa ser acompanhado de uma discussão mais ampla sobre o futuro da mobilidade urbana na cidade. Segundo ele, a administração municipal deveria avançar em temas como a tarifa zero, a revisão dos contratos com as concessionárias e novos modelos de remuneração das empresas operadoras.

“O subsídio anual é apenas um paliativo. Precisamos discutir medidas efetivas que impeçam a precarização do sistema, reduzam o peso da tarifa para a população e garantam mais inclusão social”, declarou o parlamentar.

A vereadora Marta Rodrigues (PT) também manifestou preocupação com a situação dos usuários do transporte coletivo e destacou que a população mais vulnerável continua sendo a principal responsável por sustentar o sistema. Para a parlamentar, é necessário aprofundar o debate sobre alternativas que garantam maior justiça social na política de mobilidade urbana.

Além da discussão sobre o transporte público, outros temas foram levantados durante a sessão. O vereador Hamilton Assis (PSOL) questionou os critérios adotados pela Prefeitura para a instalação de catracas em unidades da rede municipal de ensino, argumentando que diversas escolas ainda enfrentam problemas estruturais considerados básicos.

Já a vereadora Aladilce Souza (PCdoB) voltou a cobrar da gestão municipal o pagamento retroativo do reajuste salarial dos professores da rede pública, reivindicação que segue sendo apresentada pela categoria.

Durante a sessão, a Câmara também prestou homenagem a Rafael Luís Bitencourt Bonfim, filho do servidor aposentado Jorge Luís Santana Bonfim, com a realização de um minuto de silêncio solicitado pela vereadora Marta Rodrigues.

Com a votação prevista para esta quarta-feira, a expectativa é de que o projeto provoque novos embates entre base governista e oposição, especialmente em torno da falta de mudanças estruturais no modelo de financiamento do transporte público da capital baiana.