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Hamilton Assis critica novo subsídio da Prefeitura ao transporte de Salvador

Vereador questiona repasse de R$ 80 milhões e cobra transparência sobre a aplicação dos recursos

Por: Redação

12/06/202617h02

Foto: Antonio Queirós/CMS

O anúncio de um novo aporte de R$ 80 milhões ao sistema de transporte coletivo de Salvador provocou críticas do vereador Hamilton Assis (PSOL), que voltou a questionar a política de subsídios adotada pela Prefeitura para as empresas que operam o serviço na capital baiana.

O Projeto de Lei nº 172/2026, encaminhado pelo prefeito Bruno Reis à Câmara Municipal, prevê a destinação de R$ 75 milhões para o sistema de ônibus convencional e outros R$ 5 milhões para o transporte complementar. Para o parlamentar, a medida amplia um modelo que, segundo ele, transfere recursos públicos às concessionárias sem exigir contrapartidas proporcionais em benefício da população.

Hamilton lembrou que já havia votado contra o Projeto de Lei nº 522/2025, que autorizou um subsídio de R$ 67 milhões ao sistema de transporte da cidade. Na época, embora tenha reconhecido avanços técnicos na proposta, o vereador alertou para a ausência de metas de desempenho, mecanismos de fiscalização e garantias de melhoria na qualidade do serviço.

“Estamos vendo a repetição de uma política que injeta recursos públicos no sistema sem que a população perceba avanços concretos. Os usuários continuam enfrentando ônibus lotados, demora nos pontos e um serviço que está longe de atender às necessidades da cidade”, afirmou.

Segundo o parlamentar, Salvador convive com um cenário de precarização do transporte coletivo, marcado por redução de linhas, frota insuficiente e tarifas elevadas. Para ele, a concessão de novos recursos deveria estar vinculada a indicadores claros de qualidade e à divulgação detalhada dos custos operacionais do sistema.

“O transporte público é um direito social. Quando milhões são destinados às empresas sem transparência e sem participação popular, o que se fortalece é um modelo que beneficia os operadores enquanto os passageiros seguem sofrendo diariamente”, declarou.

Falta de transparência

Outro ponto criticado por Hamilton Assis é a ausência de informações públicas sobre a real situação financeira do sistema. O vereador afirma que a Prefeitura não apresenta dados detalhados sobre número de passageiros transportados, receitas tarifárias, custos operacionais e auditorias independentes que justifiquem os novos aportes.

Para ele, a inexistência de um Conselho Municipal de Transportes em funcionamento também compromete o controle social sobre decisões que impactam diretamente a vida de milhares de pessoas.

“Não é razoável que recursos dessa magnitude sejam aprovados sem amplo debate público e sem que a sociedade tenha acesso às informações que fundamentam esses repasses”, disse.

Impacto nas periferias

Hamilton também relaciona a discussão sobre mobilidade urbana ao enfrentamento das desigualdades sociais e raciais. Segundo ele, os principais prejudicados pela precariedade do transporte são os trabalhadores que vivem nas periferias da cidade e dependem dos ônibus para acessar emprego, educação, saúde e serviços essenciais.

“Quando o sistema é caro, lento e insuficiente, quem sofre são as famílias que passam horas em deslocamento todos os dias. Em Salvador, isso afeta principalmente a população negra e periférica, aprofundando desigualdades históricas”, afirmou.

Presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Tarifa Zero e do Transporte Digno, o vereador defende que futuros subsídios sejam condicionados à transparência dos dados, à participação popular e à melhoria efetiva da qualidade do serviço. Para ele, qualquer investimento público no setor deve ter como prioridade a ampliação do acesso à mobilidade e a garantia de um transporte mais eficiente para a população.