STF se reúne com comunidades de matriz africana em Salvador
Por: Redação
21/09/2026 • 08h00
Lideranças relataram desafios enfrentados por povos de terreiro, incluindo discriminação e violência religiosa.
A Ouvidoria do Supremo Tribunal Federal (STF) realizou uma visita ao Terreiro Olufanjá, localizado no bairro Beiru/Tancredo Neves, em Salvador. O objetivo foi dialogar com lideranças de comunidades de matriz africana sobre suas experiências e dificuldades no acesso a direitos. A atividade fez parte do Programa de Escuta Territorializada na Bahia.
Durante o encontro, os participantes expuseram uma série de desafios, como ataques a símbolos religiosos, ofensas relacionadas a vestimentas e outros aspectos das religiões afro-brasileiras, além de situações de discriminação. Também discutiram os impactos da expansão urbana e da especulação imobiliária sobre os terreiros, as dificuldades de regularização fundiária e a relevância da preservação desses espaços para a cultura e tradições das comunidades.
No campo educacional, foi destacado o racismo religioso nas escolas e a necessidade de promover um maior conhecimento sobre a história e cultura afro-brasileira entre educadores e profissionais de atendimento ao público. Uma pesquisa da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde (Renafro Saúde) revelou que 78,4% dos entrevistados afirmaram que membros de suas comunidades já sofreram violência motivada por racismo religioso.
Mameto Lúcia Kamurici, do Terreiro São Jorge Filha da Gomela, enfatizou a importância de espaços onde as comunidades possam expressar suas necessidades. "É crucial que possamos, nesses momentos, falar das nossas demandas e que nossa voz seja ouvida", afirmou. A advogada Camila Chagas, especialista em direito à liberdade religiosa, também destacou a importância do encontro, que possibilitou que as comunidades apresentassem suas necessidades ao STF.
Ao finalizar a visita, a juíza-ouvidora do STF, Flavia da Costa Viana, ressaltou a importância de estar presente no território para entender melhor as demandas e os contextos em que surgem. Segundo ela, o conhecimento sobre a relação entre território, pertencimento e modos de vida é essencial para construir um diálogo mais próximo e adequado às diversas realidades.
Fonte: Bahia Notícias

