Operação Termidor investiga desvio bilionário de dendê e lavagem de dinheiro
Por: Redação
24/09/2026 • 13h40
A investigação revelou que grupos empresariais movimentaram mais de R$ 1 bilhão entre 2023 e 2026, misturando dinheiro lícito com recursos ilícitos.
O Ministério Público Federal (MPF), através do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), desencadeou a Operação Termidor no último dia 17, em uma ação que abrangeu o Pará e São Paulo. A operação, realizada em conjunto com a Polícia Federal e a Receita Federal, teve como alvo um esquema criminoso bilionário na cadeia produtiva do dendê, resultando em nove prisões preventivas e o bloqueio de R$ 153 milhões em bens dos suspeitos.
As ordens de prisão foram emitidas pela Justiça Federal no Pará, e as equipes cumpriram 26 mandados de busca e apreensão em Belém, Ananindeua, Castanhal, Tomé-Açu e Indaiatuba. A decisão judicial também suspendeu as atividades de 11 empresas ligadas aos investigados.
A investigação foi iniciada devido a conflitos agrários e violência na região nordeste do Pará, considerada a 'guerra do dendê', envolvendo áreas de Concórdia do Pará, Tomé-Açu, Acará, Moju e Tailândia, onde a monocultura do dendê é predominante e há comunidades indígenas e quilombolas.
De acordo com as apurações, uma organização criminosa se estabeleceu na região para furtar e comercializar ilegalmente o fruto do dendê, que é utilizado na produção de azeite de dendê, conhecido como óleo de palma, essencial na indústria alimentícia e de biocombustíveis. O esquema contava com a participação de servidores públicos da área de segurança do estado.
Os levantamentos indicaram que os grupos sob investigação movimentaram pelo menos R$ 1 bilhão entre 2023 e 2026, utilizando a prática de lavagem de dinheiro para misturar recursos lícitos e ilícitos a fim de legalizar seus ganhos. Para ocultar os verdadeiros responsáveis, o grupo usava nomes de terceiros para registrar empresas e bens, conhecidos popularmente como 'laranjas'. A Receita Federal também detectou que o grupo realizava vendas sem notas fiscais e movimentava quantias incompatíveis com os bens declarados.
Os materiais apreendidos na operação, incluindo documentos, celulares e computadores, serão submetidos a uma perícia técnica. A análise será fundamental para as próximas etapas da denúncia criminal que será apresentada à Justiça.
Fonte: Bahia Notícias

