Navegador Amyr Klink completa 42 anos de travessia solitária pelo Atlântico
Por: Redação
18/09/2026 • 07h40
Amyr Klink chegou à Bahia em setembro de 1984 após mais de 100 dias remando sozinho pelo Atlântico Sul. Ele se tornou o primeiro a cruzar o oceano a remo de forma solitária.
Em setembro de 1984, o navegador Amyr Klink desembarcou na Praia da Espera, localizada em Itacimirim, no município de Camaçari, na Bahia. Sua travessia pelo Atlântico Sul durou mais de 100 dias, tornando-o o primeiro a realizar essa façanha a remo. A jornada teve início em Lüderitz, na Namíbia, e culminou na Bahia, após um total de 100 dias e nove horas no mar, percorrendo aproximadamente 3,7 mil milhas náuticas, o que equivale a quase sete mil quilômetros.
A embarcação utilizada por Klink tinha 5,94 metros de comprimento e 1,52 metro de largura, e não possuía motor. Durante a travessia, ele remava cerca de oito horas por dia e ainda precisava administrar outras tarefas, como cozinhar, limpar o barco, dormir e lidar com situações imprevistas, que incluíam a presença de tubarões e baleias.
Na época, os recursos tecnológicos eram limitados. Sem a disponibilidade de GPS, Klink utilizava um sextante para se orientar, baseando-se na observação das estrelas. A comunicação com familiares e amigos ocorria de maneira restrita, via rádio, em horários previamente combinados.
O projeto da embarcação foi meticulosamente elaborado, e Klink participou ativamente de sua construção. A rota foi definida levando em conta as correntes marítimas e as condições climáticas. Ele planejou previamente sua alimentação, levando 150 embalagens de refeições desidratadas e com baixo teor de sal para minimizar o peso e garantir uma dieta adequada durante a travessia.
O oceanógrafo Guilherme Camargo Lessa, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), destacou que as condições naturais do Atlântico ajudaram na navegação, com ventos e correntes favorecendo a direção ao Brasil. No entanto, as remadas foram essenciais para encurtar o tempo da viagem. À medida que Klink navegava para o norte, as condições meteorológicas tornavam-se mais favoráveis.
A travessia também envolvia riscos, como colisões com detritos e animais grandes, além de desafios estruturais da embarcação, que precisaria resistir a ondas e retornar à posição normal caso virasse. Segundo Lessa, essa expedição exigiu uma notável resiliência do navegador.
Após mais de 100 dias no mar, Klink não se aproximou da costa sem um plano. Nas horas finais, buscou um local seguro para desembarcar, considerando que o Litoral Norte da Bahia tinha poucos abrigos naturais. Ele optou pela Praia da Espera, completando assim uma das travessias mais memoráveis da sua carreira, navegando sozinho por milhares de quilômetros com a força dos próprios braços.
Fonte: Bahia Notícias

