Galípolo critica pressão de empresas para uso do FGC
Por: Redação
14/08/2026 • 13h20
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, expressou críticas nesta quinta-feira (13) em relação à pressão exercida por instituições não bancárias que buscam utilizar o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para captação de recursos do varejo. Segundo Galípolo, muitas dessas empresas, principalmente de pequeno e médio porte, tentam obter autorização para operar como bancos, utilizando as garantias do FGC, mas não apresentam ativos adequados para tal operação.
Ele ressaltou que esse comportamento é indesejável e deve ser evitado pelos órgãos reguladores. Galípolo explicou que as empresas de intermediação competem com bancos e grandes instituições financeiras, mas operam sob regras mais flexíveis para captação, com prazos mais longos e menos exigências de garantias.
O presidente do BC destacou que o papel dos bancos é captar recursos a um custo menor do que o que emprestam, e que, mesmo fazendo isso corretamente, eles ainda enfrentam riscos, como o aumento da inadimplência ou a necessidade de liquidez rápida. Nesse contexto, o FGC é fundamental para estabilizar o sistema financeiro.
A declaração de Galípolo ocorreu durante as comemorações dos 30 anos do FGC, criado em 16 de novembro de 1995, com o objetivo de proteger pequenos investidores e garantir a estabilidade financeira após a implementação do Plano Real. O fundo é sustentado por contribuições das instituições financeiras associadas e desempenhou um papel crucial durante crises econômicas, como a de 2008, proporcionando segurança aos correntistas.
Atualmente, o FGC está reembolsando cerca de R$ 40,6 bilhões a 1,6 milhão de credores afetados pelas fraudes do Banco Master. Após esse episódio, o fundo implementou um plano de emergência que aumenta em até 60% as contribuições adicionais das instituições associadas. O FGC garante reembolsos de depósitos e investimentos até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, com um teto global de R$ 1 milhão em indenizações em quatro anos, visando aumentar a segurança dos investidores e a confiança no sistema financeiro.
O evento também inaugurou a exposição "O FGC e a Rede de Proteção do Sistema Financeiro Nacional", que ficará em exibição até 30 de setembro no Prédio das Moedas, sede da B3, em São Paulo. A mostra aborda as origens, mudanças e impactos do FGC ao longo de seus 30 anos de existência.
Fonte: Bahia Notícias

