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Exército Brasileiro questiona devolução do canhão 'El Cristiano' ao Paraguai

Por: Redação

19/08/202615h40

O Brasil vai devolver o canhão 'El Cristiano' ao Paraguai, mas o Exército ressalta questões sobre a preservação do patrimônio histórico e reciprocidade.

A decisão do governo brasileiro de devolver o canhão "El Cristiano" ao Paraguai reacendeu a discussão sobre a proteção do patrimônio histórico da Guerra do Paraguai (1864-1870). Esse acordo, que foi estabelecido em julho entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seus ministros e comandantes militares, atende a uma demanda da diplomacia paraguaia que se arrasta há mais de 15 anos.

No entanto, o Exército Brasileiro expressou preocupações em relação à devolução. Um documento de 2010, obtido pelo Bahia Notícias, revela um parecer desfavorável à entrega da peça de 12 toneladas, que atualmente está sob a guarda do Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro.

O canhão, feito a partir de sinos de igrejas do Paraguai, foi utilizado na Batalha de Curupaiti (22 de setembro de 1866), um dos episódios mais trágicos da guerra, que resultou na morte de mais de 4.000 soldados aliados, a maioria brasileiros. O Exército argumenta que manter o canhão e outros artefatos capturados é importante para que o sacrifício desses homens não seja esquecido pelas futuras gerações.

Um ponto central do parecer é o princípio da reciprocidade. Segundo um historiador que teve acesso ao documento, essa preocupação não é amplamente conhecida. O texto do DECEx menciona que é comum que museus e parques de diferentes nações abriguem acervos de outros países. O Paraguai, por exemplo, mantém em exibição o navio Anhambahy, capturado pela Marinha do Brasil em 1865, que está exposto no Parque Nacional Vapor Cué, próximo a Assunção.

Com as negociações avançando para a entrega do 'El Cristiano', o parecer sugere que a devolução poderia incluir um pedido para que o Paraguai também restitua os itens de patrimônio brasileiro que possui. Não está claro se essa proposta de reciprocidade será parte do acordo final, e o formato da entrega ainda está indefinido.

A reportagem tentou contato com o Ministério das Relações Exteriores e o Exército Brasileiro para obter um posicionamento oficial sobre a situação e as negociações, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.

Fonte: Bahia Notícias