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Delação de ex-banqueiro revela supostos pagamentos a grupo de Jaques Wagner

Por: Redação

25/09/2026 • 07h20

Daniel Vorcaro, ex-banqueiro, afirmou em delação que grupo político ligado ao senador recebia R$ 3 milhões mensais em vantagens indevidas. Proposta foi rejeitada pela PF e PGR por falta de provas.

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que foi proprietário do Banco Master, revelou em uma proposta de delação premiada que um grupo político associado ao senador Jaques Wagner (PT-BA) recebia cerca de R$ 3 milhões por mês em supostas vantagens ilegais relacionadas à operação do cartão de crédito consignado Credcesta na Bahia. Essas informações estão contidas em anexos da delação, que foi recusada pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria Geral da República (PGR) por falta de evidências que sustentassem as alegações.

Vorcaro relatou que não presenciou diretamente o suposto esquema, mas tomou conhecimento por meio de seu ex-sócio, Augusto Lima. Segundo o ex-banqueiro, os repasses eram feitos de várias formas: cerca de R$ 2 milhões mensais seriam transferidos do Banco Master para a PKL One, empresa responsável pelo Credcesta, através de contratos que ele considera fictícios. Outros R$ 1 milhão seriam pagos em espécie, além de repasses via distribuição de lucros e contratos de prestação de serviços.

A proposta de delação foi rejeitada em junho, após a PGR e a PF considerarem que os relatos careciam de informações novos ou comprovações adequadas. As defesas de Wagner e Lima negaram as acusações, ressaltando a falta de provas. A defesa de Vorcaro, por sua vez, repudiou a divulgação dos anexos da delação e questionou a autenticidade do material.

O relato de Vorcaro centra-se na PKL One, que detém os direitos de exploração do Credcesta, um cartão de crédito consignado destinado a servidores públicos. O ex-banqueiro afirmou que o acordo para a operação do Credcesta foi estabelecido em 2018, quando o Banco Master adquiriu participação na empresa. Segundo ele, Lima precisou se envolver com políticos baianos para facilitar a aquisição e, por isso, cedeu parte da sociedade na PKL. O relato também menciona a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), que controlava o Credcesta, e afirma que Lima buscou apoio político para direcionar a venda da empresa, que foi comprada por R$ 15 milhões.

Além disso, Vorcaro mencionou o empresário Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como Guiga, como um suposto operador próximo a Wagner, que teria participado das negociações da privatização da Ebal. A estrutura da PKL One envolvia uma série de fundos de investimento, com benefícios finais que incluíam Lima, Guiga e outros grupos políticos. Documentos indicam que Guiga detinha participação em um fundo que possuía ligação com a PKL One.

Vorcaro afirmou que contratos com a PKL One e o Banco Master previam pagamentos mensais de R$ 2 milhões, classificados como despesas operacionais, destinados a políticos. Ele alegou que esses valores eram repassados por meio de consultorias fictícias e que parte do dinheiro era obtida através de contratos superfaturados com correspondentes bancários. O ex-banqueiro destacou que os pagamentos em espécie eram entregues a seu motorista, que não sabia da origem do dinheiro.

Fonte: Bahia Notícias