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Bahia apresenta plano de R$ 30,5 milhões para enfrentar El Niño no semiárido

Por: Redação

18/09/202600h00

A Secretaria da Saúde da Bahia investirá R$ 30,5 milhões em ações de vigilância em saúde em 80 municípios do semiárido, destacando-se entre os estados brasileiros.

A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) elaborou e enviou, em agosto, um plano de enfrentamento ao El Niño, com um investimento total previsto de R$ 30,5 milhões. O foco da iniciativa é fortalecer a vigilância em saúde em 80 municípios do semiárido baiano durante os anos de 2026 e 2027.

Esse plano coloca a Bahia em uma posição de destaque, já que apenas 52% dos estados brasileiros atenderam à recomendação do Ministério da Saúde de enviar seus planos estaduais de emergência climática, conforme anunciado em coletiva no dia 16 de agosto.

Coordenada pelo Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde da Bahia (CIEVS Bahia) e pelo Vigidesastres, a proposta visa organizar a rede de saúde estadual nas fases de preparação, alerta, resposta e recuperação diante dos riscos climáticos e sanitários esperados para o biênio 2026/2027.

Os 80 municípios selecionados para o plano foram escolhidos com base em critérios como histórico de decretos de emergência, índice de aridez e vulnerabilidade. Eles estão divididos em três grupos de severidade:

  • Grupo 1: 43 municípios na região Norte, com maior criticidade climática.
  • Grupo 2: 29 municípios da macrorregião de saúde Sudoeste.
  • Grupo 3: 8 municípios entre as macrorregiões Centro-Leste, Oeste e Sudoeste.

Até o momento, R$ 15,25 milhões já foram utilizados nas ações de vigilância dos Núcleos Regionais de Saúde (NRS) do semiárido, com a expectativa de que a outra metade seja aplicada até o fim do exercício.

O plano prioriza comunidades rurais, quilombolas, indígenas, assentamentos, além de grupos vulneráveis como crianças abaixo de cinco anos, idosos, gestantes e trabalhadores expostos ao ar livre.

A antecipação da Bahia se deve ao histórico severo de estiagem, já que aproximadamente 85,2% do estado está inserido no Semiárido Brasileiro, abrangendo 287 municípios e 7,5 milhões de habitantes. Entre 2015 e 2024, foram registrados 1.363 decretos de emergência relacionados à seca e estiagem, afetando cerca de 30 milhões de pessoas.

De acordo com a avaliação de risco do plano, a seca e a estiagem representam a principal ameaça sanitária, com uma pontuação de 9,4 em uma escala de 10, seguidas por queimadas e epidemias de arboviroses. Os principais riscos incluem o aumento de doenças transmitidas pela água e alimentos devido ao uso de fontes não tratadas.

Além disso, as queimadas são uma preocupação significativa, com 88.113 focos de calor registrados entre 2013 e 2022, especialmente nos meses de setembro e outubro, elevando a incidência de problemas respiratórios e cardiovasculares.

O aumento da temperatura também favorece a proliferação do mosquito Aedes aegypti, com cerca de 965 mil casos prováveis de dengue acumulados entre 2015 e 2025, sendo 339 mil apenas em 2024.

A Sesab definiu cinco estágios operacionais de acionamento, representados por cores, para responder às emergências conforme o risco, que vão de normalidade (verde) a crise (roxo). O acionamento do Centro de Operações de Emergência em Saúde Pública (COE Saúde) é obrigatório a partir do estágio de emergência ou com a emissão de decreto formal nos municípios.

O plano também inclui a distribuição de kits de medicamentos e insumos, monitoramento da qualidade da água pelo programa Vigiagua e a capacitação de profissionais de saúde nas Unidades Básicas e hospitais regionais.

Fonte: Bahia Notícias