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Aumento de 600% na busca por tratamento para vício em apostas leva Ministério da Saúde a agir

Por: Redação

28/09/2026 • 21h20

O presidente Lula assinou uma Medida Provisória que proíbe as apostas no Brasil. O Ministério da Saúde implementou uma estratégia para atender os afetados.

A recente Medida Provisória que proíbe a exploração e publicidade de apostas esportivas e jogos online foi motivada pelo aumento significativo de problemas de saúde mental no Brasil. Mais de 1,5 milhão de pessoas estão enfrentando dificuldades, com um alarmante crescimento nos casos de suicídio, depressão e ansiedade. O Ministério da Saúde reportou um aumento de mais de 600% na procura por tratamento de ludopatia no Sistema Único de Saúde (SUS), iniciando uma campanha para identificar e acompanhar os viciados em apostas.

O vício em jogos não se resume a perdas financeiras, mas está ligado a uma série de consequências, incluindo ansiedade, depressão, descontrole emocional, problemas de sono, conflitos familiares e o agravamento do uso de substâncias como álcool e drogas. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que o impacto das apostas vai além do aspecto econômico, afetando o cotidiano de famílias e indivíduos. Ele também mencionou a disponibilidade de um autoteste no Meu SUS Digital para que as pessoas possam avaliar como as apostas impactam suas vidas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) revela que a mortalidade por suicídio é 15 vezes maior entre pessoas com transtornos relacionados ao jogo. A precariedade financeira é um dos principais fatores que levam ao suicídio entre apostadores, sendo o risco de dependência três vezes maior em indivíduos socioeconomicamente vulneráveis e 150% maior entre jogadores online.

De acordo com dados de 2023, mais de 28 milhões de brasileiros apostaram nos 12 meses anteriores à pesquisa, com 10,9 milhões apresentando padrões de jogo considerado arriscado ou problemático. Entre 2018 e 2025, os atendimentos relacionados a jogos patológicos aumentaram cerca de 140%, com uma projeção de crescimento adicional de 104% até 2028.

Um estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde estima que o custo social dos jogos atinge R$ 38,8 bilhões por ano, dos quais R$ 30,6 bilhões — quase 79% — estão relacionados à saúde, incluindo custos com suicídios e tratamentos decorrentes da depressão.

A exposição ao jogo começa cedo, atingindo até mesmo jovens. Uma pesquisa em escolas públicas e privadas revelou que 20,4% dos alunos já apostaram online, com o contato iniciando já aos 11 anos. Entre meninos do 3º ano do Ensino Médio, essa proporção chega a 49,7%. Ademais, 65% das mulheres que apostam ou já apostaram não buscaram ajuda devido à vergonha, enquanto 12% das não apostadoras relataram impactos negativos provocados por familiares envolvidos com jogos.

Fonte: Bahia Notícias